A deputada federal australiana Helen Haines, de 65 anos, teve uma das pernas amputadas após ser atropelada por um motorista que teria agido intencionalmente. O ataque aconteceu na segunda-feira (19), em Wangaratta, no estado de Victoria, no sudeste da Austrália.
A parlamentar independente foi socorrida e transportada de helicóptero para o Hospital Alfred, em Melbourne, onde permanece internada em estado crítico.
Segundo informações divulgadas pela emissora pública australiana ABC, Haines precisou passar por uma cirurgia de emergência, durante a qual uma de suas pernas foi amputada.
O suspeito, um homem de 43 anos, foi preso pela polícia de Victoria. As autoridades acreditam que o atropelamento tenha sido deliberado, mas ainda investigam as circunstâncias e a motivação do ataque.
Motorista teria atropelado deputada duas vezes
O ministro do Interior da Austrália, Tony Burke, revelou detalhes do episódio com base nos depoimentos de testemunhas.
Segundo ele, o motorista realizou uma manobra com o veículo e prensou a deputada contra o próprio carro. Em seguida, engatou a marcha à ré e voltou a atropelá-la.
Uma testemunha identificada pela imprensa australiana como Ricky Jefferies conseguiu intervir, retirando o suspeito do automóvel e mantendo-o contido até a chegada dos policiais.
Durante a abordagem, os agentes encontraram e apreenderam uma faca que estava com o homem.
O suspeito mora em Tarrawingee, uma pequena comunidade rural próxima a Wangaratta.
Suspeito teve ligação com grupo ambientalista
De acordo com a ABC, o homem detido participou anteriormente de um movimento ambientalista contrário ao corte de árvores na região.
Ele teria sido integrante ativo do grupo Save Our Strathbogie Forest, cujo nome significa “Salvemos a Floresta de Strathbogie”.
A organização atua contra a exploração madeireira em áreas de florestas nativas australianas.
Entretanto, segundo as informações divulgadas, o suspeito não mantinha contato com o grupo desde a pandemia de Covid-19.
Até o momento, a polícia não estabeleceu qualquer relação entre a antiga participação do homem no movimento ambientalista e o ataque contra a deputada.
Quem é Helen Haines?
Helen Haines é deputada federal independente desde 2019 e representa a região de Indi, no estado de Victoria.
Ao longo de sua atuação parlamentar, tem defendido melhorias nos serviços de saúde das comunidades regionais, ampliação do acesso à moradia, políticas de combate às mudanças climáticas e maior transparência nas instituições públicas.
Em 2022, a deputada também defendeu no Parlamento australiano a eliminação gradual da exploração madeireira em florestas nativas, com a transição para uma indústria baseada em plantações comerciais de árvores.
Apesar desse posicionamento, as autoridades não confirmaram se o ataque tem alguma relação com sua atuação política ou com questões ambientais.
Governo australiano mobiliza equipe de contraterrorismo
O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, confirmou que a equipe nacional de contraterrorismo participa da investigação.
O grupo reúne representantes das forças policiais e de agências de inteligência australianas.
“Não foi um acidente. Ao que tudo indica, tratou-se de um ato deliberado. Ainda não sabemos qual foi a motivação”, declarou Albanese à emissora ABC.
A participação das autoridades de contraterrorismo não significa, necessariamente, que o episódio já tenha sido classificado como um atentado terrorista.
A investigação busca esclarecer se o ataque foi motivado por questões pessoais, políticas ou por outros fatores.
Ameaças contra políticos preocupam autoridades
O atropelamento reacendeu o debate sobre a segurança dos representantes políticos na Austrália, país onde parlamentares tradicionalmente mantêm contato próximo com a população e frequentemente circulam sem equipes de proteção.
Nos últimos anos, entretanto, as autoridades têm registrado um aumento nas ameaças dirigidas a políticos e integrantes do governo.
Em 2025, a comissária da Polícia Federal Australiana, Krissy Barrett, afirmou que o número de ameaças contra parlamentares havia dobrado em um período de três anos.
Segundo dados policiais mencionados pelo ministro Tony Burke, foram registradas mais de mil ameaças contra políticos australianos durante o ano fiscal de 2025-2026.
Cláudio Lottenberg, escolhido por Flávio Bolsonaro para comandar o Ministério da Saúde em um eventual governo, afirmou que não aumentaria os recursos destinados ao SUS antes de melhorar a gestão dos valores disponíveis. A declaração foi feita em 2019 e voltou a repercutir após o debate presidencial
Notícias ao Minuto | 03:15 – 20/10/2026