Entre os conflitos internos nos bastidores do clube, expostos pelo treinador e o capitão, mesmo com o bom momento desportivo, o Figueirense vive um dos momentos mais difíceis de sua história quando o assunto é financeiro e projeções futuras. Atualmente, o time catarinense vive um “colapso” interno, que reflete no ânimo de todos os jogadores, comissão técnica e funcionários.
O momento exige muita responsabilidade. Dentro de campo, a sequência é positiva. O time lidera a Copa Santa Catarina de forma isolada, além de estar 11 jogos sem perder na temporada. Apesar disso, internamente, a situação é de alerta vermelho, isso segundo o zagueiro Anderson Conceição, que relatou a dificuldade de atuar com os salários atrasados:
“É uma situação muito chata em qualquer lugar (sobre os salários). A gente está vendo diversos clubes no futebol brasileiro passando por essa situação. Esse é um assunto que já nos assombra desde o começo do ano. Procuramos nos motivar durante os treinamentos e os nossos jogos, para que a gente tenha o melhor ambiente possível para seguir trabalhando. A gente sabe que dificulta muito a questão salarial, a gente trabalha para pagar as nossas contas e cumprir as nossas obrigações. Seguimos acreditando que o clube consiga captar recursos, para que também cumpra com suas obrigações. É muito difícil seguir trabalhando sem receber”, disse.
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Zagueiro Anderson Conceição fala sobre situação delicadaFoto: Rodrigo Polidoro/ND MaisOs atrasos salariais não são uma novidade no Alvinegro, tanto neste ano, quanto nas últimas temporadas. O grande problema é que o buraco é ainda mais fundo. Nos bastidores, o Figueirense praticamente não conta mais com a PanSports, que, após meses de promessas e pouco investimento, está com os dias, ou até horas, contadas. Isso porque foi estabelecido um prazo do Conselho de Administração da SAF, até hoje, para a empresa dar uma posição oficial sobre a permanência, ou não, no time catarinense.
A relação entre a empresa liderada por Guillermo Vieira e o clube catarinense se desgastou ainda mais com a saída do empresário e representante da PanSports, Edson Silva. Agora, o horizonte do Figueirense é praticamente inexistente em relação à SAF.
O técnico Raul Cabral também comentou sobre a situação complicada que o clube está enfrentando:
Raul Cabral, técnico do Figueirense, trabalhou a questão anímica do timeFoto: Joao Normando/Amazonas/ND“A questão do salário é complicada. Desde que cheguei aqui, aliás, há um tempo, o Figueirense vem sofrendo com isso. Mas acho que o principal problema no momento é a instabilidade, é um tópico muito sensível. Cada um de nós sabe onde o calo aperta nessa questão financeira. Cada um dos funcionários, comissão e atletas, sabem onde está o seu problema, isso é uma questão difícil de administrar. Mas o maior problema é a questão da instabilidade política, de a gente não saber o que vai acontecer com o clube na sequência. Estamos vivenciando algo ruim, tínhamos promessas de melhoras, mas não vislumbramos muito. O salário é só um reflexo de não saber o que vai acontecer com o clube daqui para frente”, comentou.