O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) comunicou a líderes de partidos do Centrão, em Brasília, que não pretende apoiar a recondução de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB) aos comandos do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, respectivamente, a partir de 2027. O recado foi transmitido durante as articulações políticas que antecedem o segundo turno da disputa presidencial e revelado pela CNN Brasil nesta segunda-feira (12).
A posição foi colocada por Flávio em conversas diretas e indiretas com os dirigentes das siglas envolvidas no processo de aproximação com a campanha liberal, evidenciando um veto prévio a acordos que garantissem a permanência dos atuais presidentes nas mesas diretoras das duas Casas legislativas.
Centrão recua e lideranças admitem dificuldades
Com a negativa da campanha do PL, os caciques partidários reconheceram o obstáculo para viabilizar as chapas pretendidas:
Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, admitiu a interlocutores a complexidade de manter o projeto para Hugo Motta: “Infelizmente, não. Eu tentei”, declarou à CNN Brasil.
Ciro Nogueira, dirigente máximo do Progressistas (PP), sinalizou a pessoas próximas que optará por preservar capital político e que é preciso “escolher suas brigas” no atual momento do parlamento.
Antônio Rueda, comandante do União Brasil, sequer teria tentado avançar em entendimentos para assegurar a recondução de Davi Alcolumbre diante da forte oposição do grupo bolsonarista.
Estratégia do PL e foco no Senado
A prioridade absoluta do grupo político de Flávio Bolsonaro é a disputa pela presidência do Senado. Para o comando da Casa Alta, a articulação do PL aposta no nome do senador Rogério Marinho (PL-RN), atual coordenador da campanha presidencial.
Na Câmara dos Deputados, a diretriz interna é dar autonomia para que os partidos do Centrão debaterem nomes alternativos à sucessão de Hugo Motta, mas sob forte influência e barganha da bancada do PL, que ampliou sua representatividade após o primeiro turno das eleições.
O enfraquecimento dos atuais presidentes
O cenário de resistência contra Alcolumbre e Motta ganhou força com o resultado das urnas no primeiro turno, que elevou o peso da direita conservadora no Congresso.
No Senado, Alcolumbre acumula fortes críticas e resistência da oposição principalmente devido à sua recusa em pautar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com destaque para as demandas direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes. Na esfera regional, o grupo do senador sofreu derrotas expressivas no Amapá.
Na Câmara, Hugo Motta tentava pavimentar sua recondução costurando apoios suprapartidários — chegando a realizar campanha aberta em prol do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Paraíba —, mas sofreu revés político local após não conseguir eleger o próprio pai para o Senado.
Apesar da ofensiva liderada por Flávio Bolsonaro, interlocutores ponderam que a oposição formal não anula completamente a articulação dos atuais presidentes, que ainda mantêm margem de manobra para buscar bases alternativas de sustentação, embora tenham perdido o compromisso antecipado dos principais partidos do Centrão.