O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quarta-feira (21) que acionou a Polícia Federal para apurar possíveis irregularidades na transferência dos direitos de uma propriedade na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ).
O local é alvo de uma disputa acirrada entre o atacante Richarlison e o advogado Willer Tomaz, figura próxima ao senador Flávio Bolsonaro (PL).
Às vésperas do segundo turno, o chefe do Executivo utilizou seu perfil no Instagram para se comprometer com o jogador a buscar esclarecimentos. Lula questionou publicamente a agilidade da aprovação em favor do grupo de Tomaz e chamou a manobra de “trambique”.
Entenda a disputa sobre mansão em ilha envolvendo Richarlison, Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro
O ponto central da denúncia de Richarlison trata de um suposto tratamento desigual por parte da Secretaria do Patrimônio da União.
O atacante acusa o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz de terem tomado “na mão grande” uma mansão localizada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ).
O jogador afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões no imóvel entre 2020 e 2021, em sociedade com seu ex-empresário Renato Velasco e o ex-deputado Alencar da Silveira Júnior (PDT).
Segundo Richarlison, após recusar uma oferta de compra feita por Flávio Bolsonaro, ele teria perdido a posse da ilha em uma rápida manobra judicial orquestrada pelo político e pelo advogado.
Documentos apresentados pelo atleta indicam que sua tentativa de regularizar a ilha amargou cerca de dez meses de paralisação no órgão.
Em contrapartida, um pedido semelhante protocolado pela empresa de Willer Tomaz foi finalizado em apenas um dia, em julho de 2022.
Ainda nesta quarta, o jogador publicou vídeo em que busca provar a propriedade da ilha. “O Willer Tomaz me desafiou a provar que eu comprei a minha casa na Ilha Comprida de forma legal. […] Eu quero a ilha de volta, com a casa reconstruída do mesmo jeito que estava antes de você demoli-la”, disse o atleta em publicação onde expõe os fatos sobre a propriedade.
O que dizem Flávio e Willer Tomaz sobre a ilha de Richarlison
Os alvos das críticas rechaçam qualquer ilegalidade na transação. O advogado Willer Tomaz mantém o posicionamento de que a compra dos direitos de ocupação da área por sua empresa obedeceu a todos os ritos legais.
Já o senador Flávio Bolsonaro tenta se distanciar do conflito. Embora confirme ter ido à mansão em 2021 junto com Tomaz, a equipe do candidato esclareceu ao UOL que ele não possui qualquer ligação com a propriedade, não tendo comprado, vendido ou atuado como intermediário.
Segundo sua assessoria, o nome do parlamentar consta na disputa judicial exclusivamente na condição de testemunha.