A Sala Lilás do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) de Mongaguá completou um ano de funcionamento, consolidando-se como um espaço de acolhimento e escuta especializada para mulheres vítimas de violência. A iniciativa busca oferecer um ambiente mais humanizado, no qual as vítimas possam relatar suas experiências com privacidade e receber orientação e acompanhamento da equipe técnica.
Segundo a gestora da Unidade de Proteção Especial, Roseli Ribeiro, a implantação surgiu da necessidade de melhorar as condições de atendimento às mulheres que procuravam o serviço. Antes, o espaço disponível tinha uma estrutura convencional, e as profissionais frequentemente recorriam à sala de reuniões para realizar os atendimentos.
“Eu sempre trabalhei com esse olhar voltado à proteção e à defesa da mulher. A Sala Lilás surgiu da necessidade de oferecer um ambiente mais acolhedor, em que a mulher não se sinta diante de uma situação formal de interrogatório, mas tenha liberdade para se expressar e ser ouvida com mais atenção”, explica Roseli.
Ao longo do trabalho neste um ano, 73 mulheres procuraram o serviço para obter orientações ou foram encaminhadas para atendimento em outros municípios. Dentre elas, 57 foram atendidas e acompanhadas pela equipe. De acordo com a gestora, a maioria conseguiu conquistar autonomia e romper o ciclo da violência. Em situações de risco, o atendimento pode envolver o encaminhamento para outros municípios e o acesso a medidas de proteção, conforme a necessidade de cada caso.
Proteção que envolve toda a família
A atuação do CREAS também contempla crianças e familiares que convivem com situações de violência. Roseli relata um caso recente de extrema gravidade, em que uma mulher foi brutalmente agredida pelo marido e precisou fugir de casa com o bebê no colo. O outro filho, de um relacionamento anterior, também foi agredido pelo homem enquanto estava na casa de parentes.
A ocorrência mobilizou a Guarda Civil Municipal (GCM) e a equipe do CREAS. Durante o encaminhamento da vítima para a casa de familiares, o agressor voltou a ameaçá-la, mas acabou preso em flagrante pela GCM. A mulher e os filhos foram encaminhados para um local seguro.
“O atendimento não é feito apenas para a mulher vítima de violência. As crianças e os familiares que estão próximos também são atendidos. Temos a responsabilidade de fazer esse acompanhamento em conjunto”, ressalta a gestora.
Além do acolhimento inicial, acompanhamento e recâmbio, quando as profissionais detectam risco iminente de morte dessas mulheres em atendimento, o CREAS oferece o abrigo sigiloso. Durante esse período, quatro delas utilizaram o espaço, acompanhadas de seus filhos.
Ao completar um ano, a Sala Lilás reforça o papel do CREAS na rede municipal de proteção, com atendimento voltado ao acolhimento das vítimas, à segurança familiar e à construção de caminhos para que as mulheres possam retomar suas vidas com autonomia e dignidade.
Fotos: Larissa Fábia

