O carro elétrico está em alta. E muito desse sucesso está no preço tentador, que muitas vezes é inferior a um modelo a combustão. A mágica neste preço está nas importações chinesas, em que os carros são montados com custos bem menores que os praticados no Brasil. Com preço agressivo e muita tecnologia, o carro elétrico se tornou um objeto de desejo e passou permear o imaginário do consumidor que busca menor custo de deslocamento e manutenção.
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E o carro elétrico pode ser literalmente um “negócio da China” se combinar alguns fatores, que realmente fazem dele uma boa escolha e não apenas um desejo guiado por uma tendência de consumo. Confira se seu caso se encaixa em algumas destas situações.
1. Carro elétrico para quem roda muito na cidade e enfrenta trânsito

O carro elétrico tem uma vantagem importante no uso urbano intenso. Em congestionamentos, o motor elétrico não precisa permanecer funcionando da mesma maneira que um motor a combustão. Além disso, a recuperação de energia nas desacelerações e frenagens ajuda a aproveitar parte da energia que seria perdida em um carro convencional.
Esse cenário é especialmente interessante para quem enfrenta diariamente trânsito pesado, semáforos e deslocamentos curtos. É justamente o tipo de utilização considerado severo para motores a combustão, que envolve mais ciclos de funcionamento, partidas e períodos de baixa velocidade. No elétrico, a simplicidade do conjunto motriz reduz a quantidade de componentes submetidos a esse tipo de desgaste. Ou seja, engarrafamento faz bem para o elétrico e muito mal para o motor a combustão.
2. Carro elétrico se há facilidade de instalar carregador em casa

A possibilidade de carregar o carro durante a noite é um dos principais fatores que transformam o elétrico em uma alternativa econômica. O investimento inicial para instalar uma wallbox residencial varia conforme a infraestrutura elétrica do imóvel e pode ficar na faixa de alguns milhares de reais.
Em São Paulo, considerando um carro elétrico com consumo de 15 kWh/100 km e uma tarifa residencial de referência de aproximadamente R$ 0,85 por kWh, o custo energético fica perto de R$ 12,75 a cada 100 km, ou R$ 0,13 por quilômetro.
Para comparação, um carro que faça 12 km/l com gasolina a R$ 6,34 por litro custa aproximadamente R$ 52,83 a cada 100 km. Com etanol a R$ 3,69 por litro e consumo de 8,5 km/l, o custo fica em torno de R$ 43,41 por 100 km.
Os valores são referências e variam conforme o consumo do veículo, a tarifa de energia, o preço dos combustíveis e as condições de trânsito. Ainda assim, a diferença mostra por que o elétrico ganha vantagem para quem roda muitos quilômetros e consegue fazer a maior parte das recargas em casa.
Caso não seja possível instalar um carregador em casa, grandes centros urbanos, como a capital paulista conta com pontos de recarga, com valores em que o quilowatt custa até R$ 2. Ainda sim é mais barato que pedir para o frentista abastecer.
3. Quando a manutenção pesa no orçamento

O motor elétrico tem menos componentes mecânicos sujeitos a desgaste. Não há óleo do motor, velas de ignição, correias associadas ao motor, sistema de escapamento, embreagem ou uma transmissão convencional com diversas engrenagens. A frenagem regenerativa também reduz o trabalho dos freios convencionais, contribuindo para maior durabilidade de pastilhas e discos.
Isso não significa manutenção inexistente. Pneus, suspensão, freios, filtros de cabine e componentes eletrônicos continuam sujeitos a desgaste. Ele também conta com fluidos de refrigeração que devem ser substituídos de acordo com o manual do proprietário. Nas revisões periódicas, porém, o conjunto elétrico tende a exigir menos operações que um automóvel movido exclusivamente por motor a combustão.
4. Carro elétrico para quem circula diariamente em cidades com rodízio

Para quem mora ou trabalha na capital paulista (a única cidade com rodízio de circulação), existe ainda um benefício que não aparece na etiqueta de preço: o carro elétrico está entre os veículos que podem circular mesmo em horários de restrição, de acordo com o fim da placa.
A legislação paulistana prevê isenção do rodízio para veículos movidos por propulsão elétrica, hidrogênio ou determinados sistemas híbridos. Na prática, isso pode representar economia de tempo e facilitar a rotina de quem depende do automóvel todos os dias.
Um motorista que teria de deixar o carro em casa em determinado dia da semana pode continuar utilizando o elétrico, inclusive nos horários de restrição do rodízio.
5. Quando o estado oferece isenção ou desconto de IPVA

O último fator é tributário e pode mudar bastante a conta dependendo de onde o veículo é emplacado. Em 2026, 17 estados e o Distrito Federal oferecem algum tipo de benefício para veículos elétricos ou híbridos, mas as regras são diferentes entre si.
Para os veículos 100% elétricos, há isenção total em alguns locais, enquanto outros adotam limite de preço, isenção apenas no primeiro ano ou alíquota reduzida.
Entre os estados com algum tipo de benefício para elétricos estão
- Acre (AC) — isenção total do IPVA para veículos elétricos.
- Alagoas (AL) — isenção no primeiro ano para veículos elétricos novos. A partir dos anos seguintes, há cobrança de IPVA.
- Amapá (AP) — isenção para veículos elétricos, conforme as regras estaduais vigentes.
- Bahia (BA) — isenção total para veículos 100% elétricos com valor de até R$ 300 mil.
- Ceará (CE) — não há isenção integral. Os veículos elétricos têm alíquota reduzida para 2%.
- Distrito Federal (DF) — isenção de 100% para veículos elétricos, conforme as condições locais.
- Maranhão (MA) — isenção total para veículos 100% elétricos, condicionada às regras estaduais, incluindo aquisição em concessionária localizada no estado.
- Mato Grosso do Sul (MS) — isenção no primeiro ano para veículos elétricos novos. Nos anos seguintes, há desconto de 70% no IPVA.
- Minas Gerais (MG) — isenção para veículos elétricos novos produzidos em Minas Gerais.
- Pará (PA) — isenção total para veículos elétricos com valor de até R$ 150 mil.
- Paraíba (PB) — isenção total para veículos 100% elétricos.
- Pernambuco (PE) — isenção total para veículos 100% elétricos.
- Piauí (PI) — não há isenção integral. Veículos elétricos pagam alíquota de 1%.
- Rio de Janeiro (RJ) — não há isenção integral. Veículos elétricos pagam alíquota reduzida de 0,5%.
- Rio Grande do Norte (RN) — isenção total para veículos 100% elétricos.
- Rio Grande do Sul (RS) — isenção total para veículos 100% elétricos.
- São Paulo (SP) — não há benefício estadual de IPVA para carros 100% elétricos. A isenção estadual é direcionada a determinados veículos híbridos.
- Tocantins (TO) — isenção de 100% no primeiro IPVA para carros elétricos e híbridos adquiridos dentro das condições estabelecidas pelo estado.
Assim, o carro elétrico tende a fazer mais sentido financeiro quando reúne pelo menos duas condições: roda bastante na cidade e pode ser carregado em casa. Em estados que oferecem isenção integral de IPVA, a conta fica ainda mais favorável. Mas antes de fechar negócio, o consumidor ainda precisa considerar o preço de compra, seguro, depreciação e o custo de instalação do carregador. E claro, um improvável, mas não raro, dano da bateria.
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