Nas eleições de 2022, o tema que foi bastante discutido era a respeito da quantidade de mulheres mortas, sendo boa parte delas por companheiros. Na época, condenaram muito o então presidente Jair Bolsonaro, inclusive alegando que as falas dele era de características misóginas, o que contribuía para o avanço, propagar ou fazer apologia ao feminicídio.
De lá para cá, se passaram quatro anos, Bolsonaro perdeu as eleições, Luiz Inácio Lula da Silva assumiu e o Brasil passou a bater recordes e mais recordes de feminicídios, porém, a grande mídia que massacrou o então presidente Bolsonaro, não traz à tona esses números, aliás, bem piores do que daquela época sobre o massacre que ocorre hoje no Brasil de companheiros que matam suas companheiras.
Na última semana dados a respeito deste aumento sombrio, alerta que o Brasil registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, o maior número da série histórica, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na última semana, quinta-feira (23). O total representa um aumento de 4% em relação a 2024 e corresponde a uma taxa de 1,4 feminicídio para cada 100 mil mulheres, consolidando a tendência de crescimento desse tipo de crime no país e confirmando o quarto recorde consecutivo do indicador.
“O que nos causa mais perplexidade é que agora, não se vê tanta indignação por parte da mídia, não se vê o grito das feministas, dos artistas, da classe que eles chamam de “desfavorecida”, mas, que tinha voz para pedir o ‘ele não’, isso porque agora é o Lula e não o Bolsonaro? Agora pode matar, antes não podia? É muito interesse a forma de tratar o tema pela grande mídia“, lamentou Sara Brandão, coordenadora de Assuntos Especiais em Defesa da Mulher na Serra do Itapeti.

Para a coordenadora de Gênero e Raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Juliana Brandão, os dados mostram que a violência letal contra mulheres segue uma dinâmica diferente da violência urbana.
Segundo ela, a violência doméstica é fortemente influenciada por fatores estruturais, como desigualdade de gênero, padrões culturais de masculinidade, controle coercitivo e fragilidades na rede de proteção, fatores que dificultam a interrupção de trajetórias de violência já conhecidas pelas instituições.
Os dados mostram que o número de mulheres assassinadas por razões de gênero vem crescendo de forma contínua. Em 2025, 44,4% de todas as mulheres assassinadas no Brasil morreram por razões de gênero, o maior percentual desde 2015, quando o feminicídio passou a integrar o Código Penal brasileiro.
O ano também foi o primeiro de vigência integral da Lei nº 14.994/2024, que retirou o feminicídio da condição de qualificadora do homicídio doloso e o transformou em um crime autônomo. Para preservar a comparabilidade da série histórica, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública manteve os registros de feminicídio somados aos homicídios no cálculo das Mortes Violentas Intencionais.
Segundo Brandão, embora a mudança na legislação tenha contribuído para aprimorar os registros, ela não explica sozinha a alta dos casos. Ela cita, entre eles, os registros de perseguição (stalking), que cresceram 30% em 2025, e de violência psicológica, que aumentaram quase 17%.
Outro dado que chama atenção é o avanço das tentativas de feminicídio. Em 2025, 4.189 mulheres sobreviveram a tentativas de assassinato, um aumento de 5,9% em relação ao ano anterior. O Anuário destaca que, para cada feminicídio consumado registrado no país, houve 2,7 tentativas, indicando que milhares de mulheres escaparam da morte por circunstâncias alheias à vontade do agressor e permanecem em situação de risco.
Para a pesquisadora, esses números demonstram que a violência poderia ter terminado em morte na maioria desses casos. “Na definição do Código Penal, a tentativa ocorre porque circunstâncias alheias à vontade do autor impediram a consumação do crime. Ou seja, ele não desistiu de matar; ele não conseguiu”, afirma. Segundo ela, os dados evidenciam que o Estado ainda falha em identificar situações de risco e proteger essas mulheres antes que a violência alcance seu desfecho fatal.
Na avaliação dos pesquisadores, o avanço dos feminicídios evidencia os limites de uma política baseada apenas na repressão. O Anuário aponta que a persistência da violência doméstica e o aumento do descumprimento de medidas protetivas exigem uma estratégia focada na prevenção, na intervenção precoce e no monitoramento dos fatores de risco para impedir que episódios de violência evoluam para o assassinato de mulheres.
Fonte da Notícia: Anuário Brasileiro de Segurança Pública, Rádio Garota e CNN