O chefe global de design do Grupo Volkswagen resumiu em uma frase o que pensa da moda das frentes agressivas nos carros: não quer viver em um mundo com carros que parecem ter sido desenhados para matar zumbis.
NÃO FIQUE DE FORA do que acontece de mais importante no mundo sobre rodas!
Andreas Mindt chamou a tendência de “sem sentido” em entrevista à revista holandesa AutoWeek. E identificou um cálculo por trás das grades enormes e dos faróis estreitos: motoristas saem da frente quando enxergam algo ameaçador no retrovisor. Marcas fariam isso, segundo ele, apenas para parecer cool. “Você pode achar que é o mais forte, mas, se não é, isso é sem sentido”, disse.
O exemplo que ele deu não vem de uma picape gigante. É o Audi A1: pelo retrovisor, o desenho tenso do compacto sugere que vem algo muito rápido atrás, o motorista libera a faixa da esquerda e só depois percebe o tamanho real do carro.
A crítica mais dura foi para dentro de casa

Mindt não poupou a própria empresa. Sobre o ID.3 anterior ao facelift, disse que o carro não parece um Volkswagen de verdade, que não se vê o DNA da marca nele e que ele poderia perfeitamente ser de outra fabricante. Os primeiros modelos da família ID. foram deliberadamente futuristas para marcar ruptura com o passado — e, na avaliação atual do designer, foram longe demais.
O ID.3 Neo, recém-lançado, e o ID. Polo são a correção de rota. Nenhum dos dois grita que é elétrico. Ambos também recuperam comandos físicos e abandonam as barras sensíveis ao toque, depois de anos de reclamação de clientes. O ID. Polo é o primeiro Volkswagen desenhado inteiramente sob a nova linguagem da marca, batizada de Pure Positive.
A referência histórica é familiar ao brasileiro. Mindt já descreveu o Fusca como um carro otimista e simpático, que não dava a impressão de querer devorar a rua. No ID. Polo, a bolha sobre as caixas de roda dianteiras repete o desenho do Fusca, e as lanternas traseiras são círculos completos, sem pontas soltas.
Nem todo o grupo vai ficar simpático
A diretriz não se aplica às onze marcas do conglomerado. Mindt reconheceu que Lamborghini e Cupra precisam manter personalidade própria, e que nelas o desenho agressivo continua fazendo sentido.
O designer também conecta o visual mais acolhedor à transição elétrica, e aqui o argumento é menos óbvio do que parece: para ele, o carro a bateria não precisa se anunciar como diferente, e o motorista de combustão não deve ser tratado como vilão. O que deve levar as pessoas ao elétrico, na leitura de Mindt, é o preço do combustível — não a pressão moral de quem já trocou.
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