Ex-ministro de Bolsonaro, Ahmed Mohamad Oliveira Andrade estava preso desde novembro de 2025; ministro do STF manteve outras medidas cautelares, como proibição de deixar o país e de contato com outros investigados.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, nesta terça-feira (8), a retirada da tornozeleira eletrônica de Ahmed Mohamad Oliveira Andrade, ex-presidente do INSS e ex-ministro do Trabalho no governo Jair Bolsonaro (PL). A decisão atendeu a uma recomendação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que avaliou não haver registro de comportamento do investigado que tivesse prejudicado as apurações. A informação foi publicada inicilamente pelo O Globo.
Apesar da revogação do equipamento, Mendonça manteve outras medidas cautelares. Ahmed está proibido de manter contato com outros investigados, de deixar o país e deverá entregar o passaporte em até 24 horas.
Esquema no INSS
Ahmed foi preso em novembro de 2025. Segundo a Polícia Federal, ele teria exercido papel “estratégico” para o “funcionamento e blindagem” do esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS. As investigações apontam que ele era identificado pelos apelidos “Yasser” e “São Paulo”.
Mensagens e planilhas apreendidas pela PF fazem referência ao ex-ministro e a pagamentos. Uma planilha de fevereiro de 2023 registra um repasse de R$ 100 mil associado a ele. Os investigadores também identificaram “fortes indícios” de que as fraudes no INSS estavam “em pleno funcionamento” durante o período em que Ahmed comandou o Ministério da Previdência, de março a dezembro de 2022.
Em depoimento à CPI do INSS, em setembro de 2025, o ex-ministro negou ter participado das irregularidades. “Se houve abusos e irregularidades, esses foram praticados por entidades externas, que devem ser investigadas e punidas com o devido rigor”, disse Ahmed.