Lula marca 47% e Flávio 45% no 2° turno, prevê Datafolha

Lula e Flávio Bolsonaro estão em empate técnico.Foto: Ricardo Stuckert/PR/Andressa Anholete/Agência Senado/ND Mais

A pouco mais de uma semana para a abertura das urnas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) mantêm um cenário de empate técnico em uma eventual disputa de segundo turno nas eleições presidenciais de 2026.

De acordo com a nova rodada da pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (24), o petista registra 47% das intenções de voto na rodada decisiva, contra 45% do primogênio do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Como a margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o resultado preserva o equilíbrio observado na semana anterior — quando o placar marcava 46% a 44% a favor do atual mandatário.

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Votos em branco ou nulos somam 7%, e 1% dos entrevistados se declara indeciso.

Estabilidade e pressão por voto útil no 1º turno

De acordo com o Jornal Folha de S. Paulo, na simulação de primeiro turno Lula oscila um ponto para cima alcançando 40% da preferência do eleitorado, enquanto Flávio Bolsonaro permaneceu estacionado em 36%.

A variação interrompeu a curva de aproximação gradual do candidato do PL, que havia encurtado a distância de dez para três pontos ao longo dos últimos quatro meses.

Com quatro pontos de diferença, os dois líderes configuram um empate técnico no limite exato da margem de erro, mas nenhum deles reúne fôlego suficiente no momento para liquidar o processo eleitoral já no dia 4 de outubro.

A estagnação do segundo pelotão intensificou a campanha de ambos os lados pelo chamado “voto útil”. Na sequência da disputa aparecem:

  • Augusto Cury (Avante): 5%
  • Ronaldo Caiado (PSD): 4%
  • Renan Santos (Missão): 3%
  • Romeu Zema (Novo): 1%
  • Samara (UP): 1%
  • Brancos e nulos: 5%
  • Indecisos: 2%

Na medição espontânea — em que os nomes dos postulantes não são apresentados aos entrevistados —, Lula pontua 36% e Flávio soma 27%, enquanto a fatia de indecisos recuou de 21% para 18%.

Segundo o instituto, 80% do eleitorado afirma já ter o voto consolidado.

Outras simulações de 2º turno

Além do embate principal com Flávio Bolsonaro, o Datafolha testou a competitividade de Lula contra outros quatro adversários em um eventual segundo turno:

Contra Ronaldo Caiado (PSD), Lula pontua 46% contra 44% do adversário goiano. Augusto Cury (Avante) vem na sequência, com 43% a 46% de Lula.

Romeu Zema (Novo) pontua 39% frente a 48% de Lula na segunda fase das eleições. Renan Santos, do Missão, leva 39% do eleitorado enquanto Lula concentra 48%.

Como fica o cenário do 2° turno com entre Lula e seus principais adversários.Foto: Reprodução/ND MaisComo fica o cenário do 2° turno com entre Lula e seus principais adversários.Foto: Reprodução/ND Mais

Onde estão os votos de Lula e Flávio?

A fotografia colhida pelo instituto entre terça (22) e quarta-feira (23) — com 2.002 eleitores em 125 municípios (registro BR-00304/2026 no TSE) — evidencia uma divisão demográfica, regional e temática bem demarcada.

Lula sustenta sua dianteira na metade mais pobre da população (46% a 32%), entre os eleitores com menor escolaridade (49% a 29%) e no Nordeste, onde abre 30 pontos de vantagem (55% a 25%).

Seu principal desafio estratégico na reta final é conter a abstenção historicamente mais alta nesses estratos.

Em contrapartida, Flávio Bolsonaro domina no segmento evangélico (47% a 27%), na faixa de renda de 2 a 5 salários mínimos (40% a 34%), na região Sul (47% a 27%) e mantém vantagem numérica em empate técnico no Sudeste (37% a 35%).

Acontecimentos recentes

O anúncio do reajuste de 15% no Bolsa Família ainda não alterou o comportamento desse recorte. Entre os beneficiários do programa, Lula passou de 52% para 53%, enquanto Flávio oscilou de 28% para 27%, mantendo uma vantagem já consolidada pelo petista.

A rodada captou o impacto dos embates envolvendo o governo de Donald Trump nos Estados Unidos.

Enquanto Lula utilizou a tribuna da ONU para denunciar suposta interferência externa na eleição brasileira, a articulação de Trump com governos de direita nas Américas para classificar facções como o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas municiou o discurso de Flávio Bolsonaro, que explora a pauta da segurança pública para acusar o Planalto de leniência no combate ao crime organizado.

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