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Abrafrigo: Salvaguardas da China ameaçam exportações de carne bovina do Brasil

Foto: Pexels

A decisão da China de aplicar salvaguardas às importações de carne bovina acende um alerta para o desempenho das exportações brasileiras a partir de 2026. A avaliação é da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo).

Em nota, a entidade afirma que a medida representa um risco imediato tanto para as vendas externas quanto para o equilíbrio da cadeia produtiva da pecuária no Brasil. A preocupação envolve impactos comerciais, produtivos e econômicos.

A decisão foi publicada pelo Ministério do Comércio da China na última quarta-feira (31) e prevê a imposição de cotas às importações de carne bovina pelos próximos três anos, entre 2026 e 2028.

Limite de exportação e impacto financeiro

Para 2026, o Brasil terá uma cota de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina destinadas ao mercado chinês. O volume autorizado terá crescimento próximo de 2% nos dois anos seguintes.

As exportações que ultrapassarem o limite estabelecido estarão sujeitas a uma tarifa adicional de 55%. Segundo a Abrafrigo, esse nível de taxação tende a inviabilizar os embarques fora da cota.

A entidade estima que o impacto financeiro da medida pode chegar a uma perda de até US$ 3 bilhões em receita já em 2026. O número ganha relevância diante da expectativa de que o setor encerre 2025 com exportações superiores a US$ 18 bilhões.

Dependência do mercado chinês

A China é hoje o principal destino da carne bovina brasileira. Em 2025, o país asiático deve responder por mais de 1,6 milhão de toneladas embarcadas, o equivalente a 55% das exportações de carne bovina in natura.

A receita com vendas ao mercado chinês deve alcançar cerca de US$ 9 bilhões neste ano. Esse avanço consolida a China como o maior comprador do produto brasileiro, tanto em volume quanto em faturamento.

Segundo a Abrafrigo, essa elevada concentração aumenta a sensibilidade do setor a mudanças na política comercial chinesa.

Reflexos sobre a cadeia produtiva

A associação destaca que a adoção das salvaguardas ocorre em um momento delicado da pecuária nacional. O setor atravessa uma fase de menor oferta de animais e de transição do ciclo pecuário.

Para a entidade, a limitação das exportações pode desestimular investimentos do produtor rural e comprometer decisões de aumento da produção. Os efeitos, segundo a avaliação, tendem a se espalhar por toda a cadeia, com impacto sobre renda, emprego e investimentos no campo.

Diante do cenário, a Abrafrigo defende uma atuação diplomática coordenada do governo brasileiro. O objetivo seria ampliar o acesso a novos mercados e reduzir a dependência das vendas para a China, mitigando os efeitos das salvaguardas sobre o setor.

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