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Alexandre de Moraes decide que Jair Bolsonaro é um homem sem direitos

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro a seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro – atualmente em prisão domiciliar –, reforçou uma percepção que qualquer brasileiro minimamente provido de bom senso já tinha: a de que, no Brasil, o direito consiste menos em aplicar a lei sem olhar a quem e mais em infligir todo dano possível aos considerados “inimigos”. É só assim que a divulgação de uma carta manuscrita, redigida pelo ex-presidente, pode servir de pretexto para Moraes levar adiante seu projeto de decretar a “morte civil” de Jair Bolsonaro.

O artigo 41, XV, da Lei de Execução Penal garante ao preso o direito ao “contato com o mundo exterior por meio de correspondência escrita, da leitura e de outros meios de informação que não comprometam a moral e os bons costumes” – exceto se o preso for Jair Bolsonaro e o destinatário for Flávio Bolsonaro. O inciso X do mesmo artigo dá ao preso o direito à “visita do cônjuge, da companheira, de parentes e amigos em dias determinados” – exceto se o preso for Jair Bolsonaro e o parente for Flávio Bolsonaro. O artigo 7.º, III, do Estatuto da Advocacia garante ao advogado o direito de “comunicar-se com seus clientes, pessoal e reservadamente, mesmo sem procuração, quando estes se acharem presos, detidos ou recolhidos em estabelecimentos civis ou militares, ainda que considerados incomunicáveis” – exceto se o cliente for Jair Bolsonaro e o advogado for Flávio Bolsonaro. É assim que funciona o direito peculiar de Alexandre de Moraes.

Arbítrio, silenciamento, interferência eleitoral… esse tem sido o habitual quando se trata das decisões de Moraes envolvendo Bolsonaro