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Bancários rejeitam proposta dos bancos e aprovam greve nacional

Categoria rejeita proposta de reajuste zero da Fenaban; rodada final de negociações ocorre nesta terça e quarta-feira

Os bancários de todo o país aprovaram, em assembleias realizadas na noite desta segunda-feira (17), a realização de uma paralisação nacional de 24 horas agendada para a próxima quinta-feira (20). A greve de alerta é uma resposta à proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) na última rodada da Campanha Nacional Unificada 2026, que não ofereceu índice de reajuste salarial, propôs o congelamento do piso para novos contratados e apresentou reajustes diferenciados em três faixas sem parâmetros claros.

Os índices de rejeição à proposta patronal foram expressivos em todo o país. Na Paraíba, 96,48% dos trabalhadores recusaram a proposta da Fenaban e 95,02% votaram a favor do protesto. Em São Paulo, 97,66% rejeitaram os termos dos bancos e 89,34% aprovaram a greve. No Rio de Janeiro, dos 1.808 votantes, 1.760 foram contrários à proposta e 1.709 aprovaram a paralisação.

Reivindicações da categoria

Entre as principais pautas do Comando Nacional dos Bancários estão o ganho real para salários e verbas, a valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), o reajuste acima da inflação para os vales-alimentação e refeição, o fim das metas abusivas, o combate ao assédio algorítmico, a interrupção no fechamento de agências e o fim das demissões. A Contraf-CUT também cobra piso salarial para os profissionais de TI e a preservação da mesa única de negociação coberta pela Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).

O peso dos números e a saúde mental

O setor bancário encerrou 2025 com patrimônio líquido de R$ 1,2 trilhão e um lucro médio por empregado de R$ 438 mil. Além disso, a remuneração média anual dos altos executivos dos três maiores bancos privados prevê alcançar R$ 12,5 milhões em 2026 — valor cerca de 120 vezes superior ao ganho anual de um escriturário.

Em contrapartida, levantamentos do sindicato mostram a degradação da saúde do trabalhador: entre maio de 2025 e maio de 2026, 40% dos bancários fizeram uso de medicamentos controlados, como antidepressivos ou ansiolíticos. A categoria também sofreu com o fechamento de 9,5 mil agências e o corte de 88 mil postos de trabalho entre 2015 e 2025, enquanto a terceirização nos grandes bancos cresceu 49%.

Negociações decisivas

O Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban voltam a se reunir nesta terça-feira (18) e quarta-feira (19) para a 8ª rodada de negociações da campanha. Caso não haja um acordo satisfatório nessas mesas, o indicativo de greve para quinta-feira (20) será mantido e ratificado em todo o território nacional.

“Será um dia de indignação e muita luta para evitar retrocessos. A participação de cada trabalhador na paralisação será fundamental para defender nossos direitos e avançar em conquistas”, afirmou Rodrigo Britto, presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília.

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