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Bets e endividamento fizeram o consumidor virar aposta

Todo mundo viu uma propaganda de bets nos últimos meses. Está no intervalo do jogo, no vídeo do influenciador, no patrocínio da camisa do time e até nos perfis de quem fala sobre finanças nas redes sociais. A mensagem quase sempre é parecida: apostar é divertido, simples e, quem sabe, uma oportunidade de ganhar dinheiro. Mas o que raramente aparece nessa narrativa das bets é o outro lado – aquele que começa a surgir nos números do endividamento das famílias brasileiras.

Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC), a inadimplência associada às apostas online retirou R$ 143 bilhões do comércio varejista entre janeiro de 2023 e março de 2026, valor equivalente ao volume de vendas de dois Natais.

Ao mesmo tempo, levantamento do Procon-SP revelou que quatro em cada dez apostadores se endividaram após começar a usar as plataformas, e o perfil predominante é de pessoas com renda de até dois salários mínimos. Para uma parcela relevante desse público, a aposta deixou de ser entretenimento e passou a ocupar um espaço perigoso dentro do orçamento doméstico.

Esse deslocamento muda completamente a lógica da relação de consumo – e é justamente aqui que surge uma discussão que ainda recebe pouca atenção: onde fica o consumidor nessa relação? A regulamentação chegou, mas a proteção ainda não.