Apesar de o brasileiro lotar as ruas com veículos brancos, pretos, pratas e cinzas, o famoso combo monocromático ainda domina as ruas brasileiras. Segundo o Senatran, 67% de toda a frota nacional está concentrada nessas quatro cores. Mas 2025 foi um ano com sinais de mudança, tanto no mundo quanto por aqui.
A PPG, referência mundial em previsão de tendências, aponta que as cores automotivas de 2025 se dividiram em dois eixos:
- Tons naturais: verdes, terrosos e marrons, ligados à sustentabilidade e ao ambiente.
- Tons cósmicos: roxos, lilases e azuis profundos, inspirados no espaço sideral.
Essas tendências deram origem a quatro famílias de cores que ganharam destaque nas montadoras, os azuis mais profundos, inspirados no céu noturno e no mar; os verdes que remetem diretamente à natureza e à sustentabilidade; os tons terrosos que remetem a vida ao ar livre e a conexão com o ambiente; e, por fim, os roxos e lilases, que trazem um forte apelo futurista.
Brasileiro ainda prefere o básico
Imagem: Reprodução internet
Apesar desse movimento global mais ousado, o consumidor brasileiro segue conservador. Dados do Webmotors Autoinsights mostram que, neste ano, as cores mais buscadas em carros novos foram:
1. Preto – 27,9%
2. Cinza – 22,2%
3. Branco – 19,6%
4. Azul – 10%
5. Prata – 8,8%
Nos usados, a ordem muda pouco:
1. Preto – 22,6%
2. Branco – 21,7%
3. Prata – 17,4%
4. Cinza – 17,1%
5. Vermelho – 8%
Essa preferência é facilmente explicada, cores neutras dão sensação de sofisticação, sujam menos visualmente e têm maior oferta no mercado, facilitando a revenda.
Grande parte do problema não está no consumidor e sim na oferta limitada das próprias montadoras. Carros coloridos são mais caros de produzir e, por isso, quase sempre aparecem com custo adicional nos configuradores, enquanto branco e preto são oferecidos sem taxa.
Com oferta restrita e um público receoso quanto à revenda, o mercado se acostumou a repetir a mesma paleta ano após ano.
A reviravolta: carros coloridos desvalorizam menos

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Apesar da fama, estudos nacionais e internacionais mostram que essa crença não reflete a realidade do mercado.
Nos EUA, a iSeeCars.com descobriu que:
• Amarelo, laranja e verde são as cores que menos perdem valor.
• Branco, prata e preto estão entre as cores que mais depreciam.
E no Brasil a lógica se repete. Um relatório da Auto Avaliar surpreende ao mostrar que os carros coloridos não apenas mantêm seu valor de mercado, como também valem mais do que os modelos nas cores tradicionais. Enquanto veículos brancos, pretos, pratas e cinzas registram um ticket médio de R$ 78.380,80, os modelos coloridos alcançam R$ 89.452,50, uma diferença de 14% a mais.
Para comparar, o ticket médio geral dos usados vendidos em abril foi de R$ 87.107, menor que a média dos carros coloridos.
Mas por que, então, vemos tão poucos coloridos nas ruas?
Isso acontece porque os carros coloridos são realmente raros. Segundo a Auto Avaliar, as cores básicas dominam amplamente o mercado: branco responde por 28,55% das negociações, seguido de prata com 18,42%, preto com 14,77% e cinza com 13,78%.
untas, essas quatro tonalidades representam 75,52% de todas as vendas. Já entre os modelos coloridos, o vermelho aparece como o mais vendido, com 5,38%, enquanto o azul surge na sequência, com 3,56%. A lógica por trás da valorização é simples, quando há pouca oferta e o interesse do público aumenta, os preços naturalmente sobem.