Em novo episódio de Futuro Talks, Catherine Moura falou sobre os desafios da Política Nacional do Câncer
Um dos principais desafios da oncologia no Brasil consiste em transformar políticas públicas em acesso efetivo aos pacientes. Em paralelo à implementação da Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer e à incorporação de novas tecnologias, cresce o debate sobre transparência, monitoramento e participação social. Esses foram alguns dos temas compartilhados por Catherine Moura, CEO da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) e Conselheira Estratégica do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC), no novo episódio de Futuro Talks.
Ao longo da conversa, Catherine avaliou os recentes anúncios do governo federal para a oncologia, incluindo a ampliação do financiamento para medicamentos de alto custo. Segundo ela, incorporar novas tecnologias, por si só, não garante que elas cheguem aos pacientes. É preciso fazer com que as políticas saiam do papel e os tratamentos sejam implementados de forma efetiva pelos estados e municípios. Neste contexto, a Política Nacional de Câncer é um passo importante, mas precisará ser acompanhada por metas, indicadores e mais transparência.
A entrevista também abordou o contexto da participação social na saúde. Catherine defendeu que instâncias como a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e o Conselho Consultivo do Inca (Consinca) precisam fortalecer mecanismos que tornem a participação de pacientes e organizações mais efetiva. Ela também comentou os critérios atuais de participação na Conitec, criticou restrições relacionadas a conflitos de interesse e afirmou que fortalecer a governança passa por mais transparência, e não pela limitação da atuação das entidades.
A CEO da Abrale também falou sobre temas que vêm ganhando espaço nas discussões da saúde, como inteligência artificial, terapias avançadas, preço sigiloso e agência única de avaliação de tecnologias. Catherine ainda apresentou as prioridades da associação para fortalecer a produção de evidências e ampliar a participação qualificada da sociedade civil no acompanhamento das políticas públicas.
Confira o episódio completo: