Na última segunda-feira (31), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados do Censo 2022, revelando uma mudança significativa no cenário religioso do Brasil. Pela primeira vez, os evangélicos “não determinados” se tornaram o maior grupo dentro da religião evangélica, superando os pentecostais.
Contexto da pesquisa
O Censo 2022 trouxe à tona a diversidade religiosa do Brasil, um país historicamente marcado pela presença católica. No entanto, a pesquisa revelou que a filiação religiosa está em constante transformação. Os evangélicos “não determinados” são aqueles que se identificam como “evangélicos” ou “crentes”, mas não especificam uma denominação. Este grupo representa 15,6% da população brasileira com 10 anos ou mais.
O que aconteceu
Os dados do Censo mostram que os pentecostais, que incluem denominações como a Assembleia de Deus e a Igreja Universal do Reino de Deus, somam 14,3 milhões de pessoas, o que equivale a 8,1% da população. Em comparação, os evangélicos de missão, que estão ligados a tradições protestantes históricas, totalizam 5,6 milhões, ou 3,2% da população. Além disso, o Censo registrou 139 pessoas que se identificaram como seguidores de “igrejas evangélicas indígenas”, um número considerado estatisticamente irrelevante.
É importante ressaltar que a nova metodologia adotada pelo IBGE pode ter influenciado os resultados, dificultando a identificação detalhada das denominações evangélicas e possivelmente reduzindo a dimensão registrada do grupo pentecostal.
Reações ao resultado
A mudança na composição religiosa do Brasil tem gerado discussões entre líderes e fiéis. Muitos veem a ascensão dos evangélicos não determinados como um reflexo da busca por uma espiritualidade mais pessoal e menos institucionalizada. Essa tendência pode indicar um movimento em direção a uma fé mais individualizada, onde a relação com Deus é priorizada em detrimento da identificação com uma denominação específica.
Por outro lado, a queda contínua da participação católica, que passou de 74,4% da população em 2000 para 57% em 2022, também é um sinal de mudança. O Censo identificou três grupos dentro do catolicismo: os apostólicos romanos, que concentram quase todos os fiéis, os ortodoxos, que somam cerca de 21 mil pessoas, e os apostólicos brasileiros, com 386 mil seguidores.
O que esperar para o futuro
Com o Brasil permanecendo majoritariamente cristão, a pesquisa do Censo 2022 levanta questões sobre o futuro da evangelização e das missões no país. A ascensão dos evangélicos não determinados pode representar uma oportunidade para as igrejas se adaptarem e se conectarem com essa nova geração de crentes que busca um relacionamento mais direto com Deus.
Além disso, a queda na participação católica e o crescimento de outras religiosidades cristãs, como as testemunhas de Jeová e os mórmons, indicam uma pluralidade crescente no cenário religioso brasileiro. Isso pode levar a um aumento na necessidade de diálogo inter-religioso e na promoção da liberdade religiosa no país.