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ChatGPT ajudou homem de 66 anos a encontrar a família materna após décadas de busca, mas a pista que mudou tudo estava em um texto escrito pela filha de uma mulher que ele procurava

Durante décadas, Avtar Singh carregou perguntas sobre a própria origem maternaFoto: Avtar Singh/The Guardian

O canadense Avtar Singh passou décadas tentando descobrir o que havia acontecido com sua família materna. Aos 66 anos, ele usou o ChatGPT para organizar pistas que não tinham levado a lugar algum e conseguiu chegar a parentes que viviam no Reino Unido.

A busca não terminou com o reencontro da mãe biológica, que morreu antes do contato. Singh encontrou a meia irmã materna, um tio e outro parente da família, encerrando uma separação que começou quando ele ainda era criança.

A família escondeu a verdade o tempo todo

Quando era pequeno, Avtar foi criado pelos avós paternos em Amritsar, uma cidade na Índia. Ele acreditava que a avó era sua mãe. Só ouvia rumores dos vizinhos de que sua mãe verdadeira vivia no exterior, mas não dava muita importância. Aos 9 anos, foi enviado sozinho para o Canadá para viver com o pai, a mãe e o irmão, sem entender direito o que havia acontecido.

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A separação aconteceu quando ele ainda era muito pequeno, e as respostas nunca vieram de forma completaFoto: Avtar Singh/The GuardianA separação aconteceu quando ele ainda era muito pequeno, e as respostas nunca vieram de forma completaFoto: Avtar Singh/The Guardian

Mesmo depois, ninguém explicava a situação. Quando se casou, sua avó contou à esposa que Avtar era filho do primeiro casamento do pai e que sua mãe havia deixado a criança com a família antes de voltar para a África, possivelmente para o Reino Unido. Mas ela não revelou o nome da mãe. Avtar percebeu que havia um segredo familiar e não se sentiu à vontade para insistir.

Anos depois, quando o filho de Avtar recebeu uma tarefa escolar para montar uma árvore genealógica, ele finalmente pressionou o pai. Foi quando conseguiu descobrir apenas o primeiro nome: Savinder. O pai continuou se recusando a fornecer qualquer outra informação.

O motivo da separação também era desconhecido para Avtar. O que ele conseguiu entender era que a família de sua mãe teria pressionado para que ela abrisse mão da guarda do filho, facilitando que ela se casasse novamente.

Por muitos anos, Avtar conhecia apenas o primeiro nome da mãe: SavinderFoto: Nicci Dhamu/The GuardianPor muitos anos, Avtar conhecia apenas o primeiro nome da mãe: SavinderFoto: Nicci Dhamu/The Guardian

Ou seja, Avtar cresceu sem saber quem era sua mãe porque os adultos esconderam ou evitaram falar sobre o primeiro casamento, a separação e a criança. Isso explica por que ele passou décadas tentando reconstruir uma história da qual tinha pouquíssimas pistas.

ChatGPT ligou pistas antigas à história da família

A descoberta começou com uma pergunta feita ao ChatGPT durante uma viagem à FrançaFoto: Nicci Dhamu/The GuardianA descoberta começou com uma pergunta feita ao ChatGPT durante uma viagem à FrançaFoto: Nicci Dhamu/The Guardian

Hoje ele vive em Abbotsford, na Colúmbia Britânica. Mas, antes de recorrer ao ChatGPT, ele pesquisou no Google e no Facebook, consultou arquivos e registros, procurou o National Archives, em Londres, e até fez um apelo em uma rádio britânica. Singh também pensou em participar de um programa de TV sobre famílias separadas, mas não quis fazer teste de DNA por preocupação com a privacidade.

Em 8 de maio de 2026, Singh enviou à ferramenta informações que tinha reunido sobre a mãe e recebeu uma possível identificação, além da indicação de um texto escrito por uma filha dela.

O artigo da meia irmã revelou a conexão

Savinder (à esquerda) morreu em 2024, aos 88 anos, antes que mãe e filho pudessem se reencontrarFoto: Nicci Dhamu/The GuardianSavinder (à esquerda) morreu em 2024, aos 88 anos, antes que mãe e filho pudessem se reencontrarFoto: Nicci Dhamu/The Guardian

O nome sugerido era Savinder Kaur Nagi. A pista que ajudou a ligar as histórias foi um certificado de corte e costura que ela obteve em Dhariwal, perto de Amritsar, em 1962, local ligado ao nascimento de Singh.

O texto apontado pelo ChatGPT havia sido escrito por Nicci Dhamu, filha de Savinder. Nele, Nicci contou a trajetória criativa da mãe em uma homenagem publicada pelo South Asian Heritage Month, sem saber que tinha um meio irmão materno no Canadá.

Singh enviou um e mail a Nicci e os dois falaram por telefone cerca de duas horas depois. O relato detalhado do reencontro foi publicado pelo The Guardian.

Encontro em Londres reuniu parentes separados

Naquele momento, Singh estava no sul da França. Poucos dias depois, viajou com a esposa para Londres e encontrou Nicci em um hotel perto do aeroporto de Heathrow. Depois, conheceu em Birmingham o tio materno que ainda estava vivo e um meio irmão mais novo de Nicci.

Para Avtar, conhecer a família materna significou finalmente preencher uma parte da própria históriaFoto: Avtar Singh/The GuardianPara Avtar, conhecer a família materna significou finalmente preencher uma parte da própria históriaFoto: Avtar Singh/The Guardian

O reencontro teve também um peso de ausência. Savinder morreu durante o sono em dezembro de 2024, aos 88 anos, antes de saber que o filho que havia perdido quando ele tinha cerca de três anos havia sido localizado. O ChatGPT serviu para cruzar informações e encontrar uma pista pública, não como prova de parentesco. Singh e Nicci decidiram não fazer teste de DNA.

Banco brasileiro reúne perfis para buscas de desaparecidos

No Brasil, a procura por familiares desaparecidos também pode passar por bases genéticas oficiais. O Banco Nacional de Perfis Genéticos reunia, em novembro de 2024, 10.503 perfis de familiares de pessoas desaparecidas e 11.669 perfis de restos mortais não identificados, conforme o relatório da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos.

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