• Home
  • Saúde
  • Com avanço da tecnologia, cresce demanda por integração de dados, equipes e jornada no diagnóstico

Com avanço da tecnologia, cresce demanda por integração de dados, equipes e jornada no diagnóstico

O salto tecnológico das últimas décadas possibilitou avanços sem precedentes na medicina e a radiologia foi uma das áreas que mais se beneficiou dessa evolução. O campo de exames de imagem tem como característica a adoção rápida de inovação para aprimorar tempo e precisão, mas com a chegada das novas soluções de inteligência artificial, isso se potencializou. Se a disponibilidade de tecnologia deixou de ser barreira, agora o desafio passa pela integração de dados, equipes e jornada em prol do diagnóstico. O objetivo é reduzir a fragmentação, otimizar fluxos e aprimorar processos para ampliar a eficiência das instituições e melhorar a experiência do paciente.

O cenário conversa com a transformação dos sistemas de saúde, que buscam um atendimento mais personalizado e preciso, ao mesmo tempo que precisam lidar com limitações de recursos. Nesse contexto, a adoção de ferramentas tecnológicas, como a IA, em instituições de saúde não é mais uma novidade, mas a forma como ela acontece ainda esbarra em gargalos como a interoperabilidade entre diferentes plataformas e a capacitação das equipes para usufruir dos benefícios ofertados por inovações dessa natureza.

“Passamos os últimos 20 anos coletando cada vez mais dados de pacientes, e agora essas máquinas e soluções precisam conversar mais entre si”, defende André Duprat, CEO da Philips Brasil, durante apresentação na Jornada Paulista de Radiologia 2026, que aconteceu entre 30 de abril e 3 de maio, em São Paulo. “Não adianta ter dados espalhados e, na ponta, quando o médico precisa de uma informação completa do paciente para tomar uma decisão clínica, ele precisa acessar 30 sistemas diferentes. Isso deve estar no centro do desenvolvimento das novas tecnologias.”

Diante desse panorama, o conceito de diagnóstico integrado, impulsionado por iniciativas como a Philips Integrated Diagnostics, começa a ganhar força, uma vez que propõe a convergência entre áreas que, em outro momento, atuavam de maneira mais separada. Na medicina diagnóstica, por exemplo, cada vez mais a patologia, a radiologia e a medicina laboratorial devem atuar de forma mais próxima, o que resulta em um diagnóstico eficiente e mais preciso.

Nova lógica de atuação

A partir dessa nova lógica, as ferramentas, muitas delas com apoio da inteligência artificial, começam a atuar de maneira agrupada, buscando desonerar o ecossistema e reduzir o tempo gasto entre suspeição e início dos tratamentos – janela que, em doenças como o câncer, são determinantes para o prognóstico.

Com laudos otimizados, a ideia é permitir que os inúmeros dados relativos aos exames do paciente possam ser apresentados de maneira consolidada para o médico. “O laudo otimizado facilita e agrupa esses dados de uma forma inteligente que facilita a sua interpretação”, explica Caroline Zago, Healthcare Informatics Business Leader para América Latina da Philips.

A funcionalidade integra o ecossistema de “Integrated Diagnostics” da companhia, em linha com a evolução de seu portfólio de informática em saúde, com soluções que unem IA, tecnologia de ponta e gestão otimizada na medicina diagnóstica. O objetivo é integrar de forma fluida todo o portfólio da empresa, com base em soluções fundamentais como PACS e visualização avançada, que permitem a consolidação e a interpretação de dados provenientes de diferentes fontes clínicas — desde equipamentos de ressonância magnética (RM) e tomografia computadorizada (TC) até a terapia guiada por imagem. “Na prática, esse ganho de eficiência se traduz em mais tempo de qualidade dedicado ao paciente, um dos principais objetivos por trás dessa transformação”, completa Zago.

A fala corrobora um estudo de revisão publicado em 2025, que avaliou que na radiologia e na patologia, a IA é capaz de melhorar a precisão e reduzir o tempo de diagnóstico em aproximadamente 90% ou mais. Durante a JPR 2026, a Philips apresentou ainda o SmartSpeed Precise, que usa IA para acelerar os exames em até três vezes, aumentando a produtividade hospitalar sem perder a acurácia. Além disso, a empresa anunciou sistemas que conectam ressonância magnética, tomografia computadorizada e ultrassom com soluções de pós-processamento.

Evolução é tecnológica, mas desafio é humano

Para os próximos anos, as apostas são direcionadas para automação de processos, padronização e integração cada vez maior de sistemas. A expectativa é de que o avanço ajude a sanar lacunas que já preocupam a medicina diagnóstica, como a escassez de médicos patologistas e o aumento da demanda de exames de imagem, puxado pelo crescimento dos casos de câncer e envelhecimento populacional, que já exercem pressão sobre os sistemas de saúde.

Além disso, os esforços em relação à capacitação dos recursos humanos devem aumentar. Isso porque, se por um lado não há dúvidas de que a evolução tecnológica deu início a um novo capítulo para a medicina, por outro algumas perguntas sobre o ganho prático com soluções dessa natureza ainda pairam sobre as mesas de debate. Não por ineficiência da tecnologia, que segue em permanente atualização e melhoria, mas justamente pela capacidade humana de absorver esse montante de aprendizado em um curto espaço de tempo.

A pesquisa TIC Saúde 2024, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), indicou que apenas 23% dos médicos e enfermeiros realizaram algum tipo de capacitação em informática em saúde nos últimos 12 meses. Os principais temas abordados nessas capacitações foram segurança do paciente (95%), ética e privacidade (85%) e qualidade dos dados (82%).

Na prática, isso pode se traduzir em insegurança em relação ao uso das ferramentas ou, ainda, o desconhecimento do potencial completo da IA no dia a dia clínico, o que impacta a percepção dos ganhos gerados pela tecnologia. Isso demonstra a necessidade de uma colaboração mais próxima entre profissionais da saúde, clientes e empresas de tecnologia.

Por isso Duprat, da Philips, compartilha a importância do acompanhamento com as equipes após a aquisição de equipamentos e softwares. “Chegamos a fazer uma pesquisa com hemodinamicistas para avaliar o uso real de um equipamento e descobrimos que 50% das capacidades do equipamento não vinham sendo utilizadas como poderiam”, reflete. “Essa proximidade não é importante apenas para a empresa que adquire a solução, mas também para nós que as desenvolvemos.”

Segundo ele, o profissional de saúde não será eliminado do ciclo do cuidado, mas sim assumirá uma nova posição no espectro mais amplo dessa jornada. A adoção de novas tecnologias proporciona também um ambiente mais claro e favorável para identificar déficits no processo humano, e o tempo reconquistado pode ser implementado a fim de solucionar tais problemas.

“Gosto de comparar à metáfora do rio, que quando está cheio, parece uma superfície plana, mas conforme a água vai baixando, as pedras se tornam visíveis”, pondera Duprat. “Nos últimos anos, vimos exames que demoravam 50 minutos terem o tempo reduzido para cinco minutos. Com isso, as pedras começaram a aparecer. E o que são essas pedras? São os processos de hospitais e demais instituições. Agora, entendemos que não é apenas a máquina que vai entregar mais produtividade, é preciso olhar também para os fluxos dentro da instituição. Esse é um movimento interessante que vai além da tecnologia em si.”

André Duprat, Carolina Zago e André Toledo, da Philips, em painel de debate durante a JPR 2026

The post Com avanço da tecnologia, cresce demanda por integração de dados, equipes e jornada no diagnóstico appeared first on Futuro da Saúde.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Lula diz que não está preocupado com dívida pública: ‘Quero crescimento’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (27) que a trajetória…