O primeiro dia da propaganda eleitoral no rádio e na televisão colocou no ar diferentes estratégias dos candidatos ao Senado por Santa Catarina. Enquanto alguns optaram por apresentar a própria trajetória política e administrativa, outros partiram para o confronto direto com adversários e instituições.
Entre os principais temas que apareceram nas peças estão a família Bolsonaro, o STF (Supremo Tribunal Federal), o governo Lula, investimentos em Santa Catarina, segurança, valores conservadores e a relação do Estado com Brasília.
A propaganda também serviu para alguns candidatos reforçarem alianças. Foi o caso de Carol de Toni e Carlos Bolsonaro, que apresentaram uma estratégia conjunta para a disputa pelas duas vagas ao Senado.
Veja abaixo o que cada candidato levou ao ar no primeiro dia:
Afrânio aposta no confronto com a família Bolsonaro
A propaganda de Afrânio Boppré (PSOL) adotou uma estratégia de ataque direto aos adversários. O candidato iniciou a peça lembrando que Santa Catarina terá direito a três cadeiras no Senado e questionou a possibilidade de uma família ocupar parte dessas vagas.
Sem citar nominalmente Carlos Bolsonaro no trecho, Afrânio fez referência à família do candidato e associou os Bolsonaro a episódios envolvendo investigações e crimes.
A mensagem central foi a defesa de candidatos com “ficha limpa” e comprometidos com os problemas de Santa Catarina.
Décio Lima destaca trajetória e parceria com Lula
Décio Lima (PT) seguiu caminho diferente. A propaganda foi construída em torno da trajetória administrativa e política do candidato, destacando passagens como prefeito de Blumenau, atuação como superintendente do Porto de Itajaí e trabalho como deputado federal.
A peça também citou sua atuação à frente do Sebrae e programas voltados a microempreendedores. Na reta final, a propaganda aproximou a candidatura de Décio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a promessa de buscar recursos e obras para Santa Catarina.
Sua principal mensagem foi que a experiência acumulada em cargos públicos, somada à proximidade com Lula, seria uma forma de trazer investimentos para Santa Catarina.
Amin transforma propaganda em discurso de enfrentamento
Esperidião Amin (PP) apostou no confronto institucional. A propaganda começa, inclusive, rompendo com o formato tradicional de uma peça eleitoral produzida, o candidato aparece questionando a própria equipe e pede uma gravação “sem produção, sem efeito, cara a cara”.
O principal alvo foi o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Amin relembrou embates com o ministro e afirmou que não se calou diante de decisões que considera equivocadas.
A propaganda também mencionou o voto contrário à indicação de Jorge Messias para o Supremo e defendeu sua posição sobre a anistia relacionada aos atos de 8 de janeiro.
Antídio Lunelli usa história pessoal para vender experiência
Antídio Lunelli (MDB) apostou em uma narrativa bastante diferente. A propaganda começou apresentando a história pessoal do candidato, desde a infância e os estudos até o trabalho e a criação de uma pequena confecção na garagem de casa.
A trajetória empresarial foi utilizada para construir a imagem de alguém que começou com pouco e transformou o negócio em uma grande indústria. Depois, a propaganda passou para a experiência política, com Lunelli destacando ambos os mandatos como prefeito de Jaraguá do Sul e a atuação na gestão municipal.
No trecho final, o candidato apresentou uma das principais bandeiras da campanha, a diferença entre o que Santa Catarina arrecada e o que recebe de volta da União.
Carol De Toni destaca conservadorismo, atuação parlamentar e aliança
Carol De Toni (PL) utilizou o primeiro programa para apresentar credenciais pessoais e políticas. Ela começou falando sobre a família e as origens em Chapecó, no Oeste catarinense, antes de destacar a votação obtida na eleição anterior e sua atuação na Câmara dos Deputados.
A candidata também ressaltou ter sido a primeira mulher catarinense a presidir uma comissão considerada importante na Câmara e citou projetos ligados às pautas conservadoras, como as áreas de drogas e aborto.
Outro ponto importante da propaganda foi a apresentação de resultados financeiros. Carol afirmou ter levado mais de R$ 370 milhões em investimentos para Santa Catarina e disse que os recursos chegaram aos 295 municípios.
No final, a propaganda explicitou uma estratégia eleitoral conjunta com Carlos Bolsonaro: “Quem vota a Carlos vota a Carol. E quem vota a Carol vota a Carlos.”
Carlos Bolsonaro aposta na família e nos valores
Candidato ao Senado pelo Estado, Carlos Bolsonaro (PL) começou falando sobre a filha, Júlia, e depois passou a recordar a infância ao lado dos irmãos Flávio e Eduardo e do pai, Jair Bolsonaro. A maior parte da peça foi dedicada às memórias familiares e à formação dos valores que, segundo ele, ajudaram a construir sua visão política.
Somente na parte final Carlos apresentou sua candidatura e a composição de sua chapa, citando Flávio Bolsonaro para presidente, Jorginho Mello para governador, Adriano Silveira e Carol De Toni para o Senado. A peça terminou com a defesa de valores que, segundo o candidato, estão em risco.
Jefferson Rocha leva discurso de oposição a Brasília
Jefferson Rocha (PRD) adotou uma propaganda curta e direta, baseada em uma ideia central: Santa Catarina trabalha e produz, enquanto Brasília ficaria com parte dos recursos.
A partir daí, o candidato apresentou uma sequência de críticas: aos ministros do Supremo, aos impostos sobre o agronegócio e ao que chamou de “bandalheira” no Congresso. A frase que resume a peça é justamente a defesa de Santa Catarina como prioridade.
Horário da propaganda eleitoral gratuita em SC
A propaganda eleitoral gratuita será distribuída entre os diferentes cargos conforme o dia da semana.
Às terças, quintas e sábados, serão veiculados os programadas dos candidatos à Presidência da República e à Câmara dos Deputados. Cada cargo terá 12 minutos e 30 segundos de propaganda.
Já às segundas, quartas e sextas-feiras, o espaço será destinado às candidaturas para Senado Federal, Assembleia Legislativa e governo do Estado. Serão sete minutos para os candidatos, nove minutos para deputado estadual e outros nove minutos para governador.
Quando a propaganda eleitoral é exibida?
- Rádio: das 7h às 7h25 e das 12h às 12h25;
- Televisão: das 13h às 13h25 e das 20h30 às 20h55.
A ordem de aparição das candidaturas é definida no primeiro dia de veiculação. Depois disso, é aplicado um sistema de rodízio: o partido, coligação ou federação que aparecer por último em determinado dia passa a ser o primeiro na próxima exibição daquele cargo.
A sequência é mantida ao longo dos dias de propaganda eleitoral até 1º de outubro.