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De onde vem o dinheiro que financia o crescimento das empresas?

Relatórios e gráficos financeiros em destaque sobre a mesa, com executivos reunidos ao fundo.Foto: Magnific.com

Toda empresa que cresce acaba encontrando uma pergunta financeira: de onde virá o dinheiro necessário para sustentar a próxima etapa?

Pode vir do próprio caixa, de um banco, de investidores ou da emissão de dívida. A escolha depende do porte, do estágio da empresa e do acesso que ela possui a cada uma dessas alternativas.

Os números recentes mostram que essa discussão ficou mais interessante no Brasil.

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Um estudo publicado pelo BNDES em julho mostra que o estoque de crédito bancário às empresas passou de aproximadamente R$1,3 trilhão em 2012 para R$2,7 trilhões em 2025. Em valores nominais, mais que dobrou.

Quando esse volume é comparado ao tamanho da economia, porém, aparece outra história. O crédito correspondia a 27% do PIB em 2012. Caiu para 20% em 2019 e permaneceu nesse mesmo nível em 2025.

O dinheiro disponível cresceu. A participação do crédito bancário na economia, não na mesma proporção. Essa diferença sugere que a discussão sobre financiamento empresarial deixou de caber apenas dentro do crédito bancário.

O financiamento das empresas ficou mais amplo

Olhar apenas para os empréstimos bancários produz uma fotografia incompleta.

O Banco Central utiliza uma medida chamada crédito ampliado, que considera, além dos empréstimos concedidos pelo sistema financeiro, títulos de dívida e empréstimos externos.

Por esse critério, o crédito ampliado às empresas chegou a R$7,1 trilhões em abril de 2026, equivalente a 54,3% do PIB. Em doze meses, houve crescimento de 6,6%, impulsionado principalmente pelo avanço de 17,2% nos títulos de dívida.

A diferença entre os R$2,7 trilhões do crédito bancário e os R$7,1 trilhões do crédito ampliado mostra uma mudança importante: financiar uma empresa já não significa necessariamente recorrer apenas a um banco.

Para parte do mercado empresarial brasileiro, as alternativas aumentaram.

O mercado de capitais ganhou espaço

Essa mudança aparece com clareza nas captações realizadas pelas empresas.

Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais – ANBIMA, as ofertas no mercado de capitais brasileiro alcançaram R$838,8 bilhões em 2025, o maior valor da série histórica iniciada em 2012 e 6,4% acima do recorde registrado no ano anterior.

Boa parte desse dinheiro veio de instrumentos de dívida. Debêntures, notas comerciais e outras formas de captação permitem que empresas busquem recursos diretamente no mercado, em vez de depender exclusivamente do crédito bancário.

O início de 2026 manteve essa atividade elevada. Somente em janeiro, as ofertas somaram R$59,9 bilhões, também um recorde para o mês. As debêntures responderam por R$26,9 bilhões e as notas comerciais chegaram a R$6,4 bilhões.

Isso não significa que os bancos perderam importância. Significa que as empresas com estrutura e acesso ao mercado passaram a dispor de mais caminhos para financiar investimentos, refinanciar dívidas ou sustentar a própria operação.

O mercado de financiamento se tornou mais diversificado, mas essa diversificação criou uma diferença importante: ter mais instrumentos disponíveis na economia não significa que todas as empresas consigam acessá-los.

As alternativas não são iguais para todas as empresas

Uma grande companhia pode combinar crédito bancário, emissão de dívida, investidores e operações no exterior. Uma empresa menor normalmente trabalha com um conjunto mais restrito de possibilidades.

Os dados do BNDES ajudam a mostrar essa diferença.

Em 2025, as grandes empresas ainda respondiam por 50% de todo o estoque de crédito bancário destinado às pessoas jurídicas. A diferença aparece também na inadimplência: enquanto grandes empresas registraram taxa de 0,4%, nas pequenas ela chegava a 7,6%.

São realidades financeiras muito diferentes.

Quanto maior o risco percebido pelo financiador, mais difíceis tendem a ser as condições de crédito. E empresas menores geralmente possuem menos alternativas fora do sistema bancário para compensar essa diferença.

O resultado é uma assimetria importante: para uma grande empresa, financiar um investimento pode significar escolher entre diferentes fontes de capital. Para uma empresa menor, a decisão muitas vezes começa antes, na possibilidade de acessar essas fontes.

Isso muda a natureza da decisão. Uma empresa escolhe como financiar o crescimento. Outra precisa primeiro descobrir quais formas de financiamento estão realmente ao seu alcance.

O custo do dinheiro também entra na decisão

Ter crédito disponível não significa que utilizá-lo faça sentido.

Em dezembro de 2025, a taxa média das operações de crédito livre para empresas chegou a 25% ao ano, segundo o Banco Central. Foi uma alta de 3,3 pontos percentuais ao longo daquele ano.

Nesse ambiente, uma decisão de financiamento deixa de ser apenas uma questão de conseguir recursos. Passa também pela capacidade de gerar retorno suficiente para pagar por eles.

Isso muda a conta de um investimento.

Abrir uma unidade, contratar uma equipe, adquirir outra empresa, ampliar capacidade ou desenvolver um novo serviço pode fazer sentido operacionalmente e ainda assim não justificar o custo do capital utilizado para financiar a expansão.

O acesso ao capital, portanto, não interfere apenas na forma como uma empresa financia uma decisão. Em determinadas situações, ajuda a definir quais decisões ela consegue executar.

Crescer exige escolher como financiar o crescimento

Eis a leitura mais interessante dos números.

O Brasil não possui simplesmente uma única fonte de dinheiro para as empresas. O financiamento empresarial passou a combinar bancos, mercado de capitais, investidores, recursos externos e capital gerado pelo próprio negócio.

Mas o acesso a essas alternativas continua muito desigual.

Para empresas maiores, a discussão financeira tende a ser sobre qual fonte de capital oferece melhores condições para cada necessidade. Para muitas empresas médias e pequenas, a questão ainda pode ser anterior: quais dessas fontes estão realmente disponíveis?

A forma de financiar uma empresa interfere nas decisões que ela consegue tomar.

Crescimento exige mercado, operação e capacidade de execução. Mas transformar uma oportunidade em investimento também depende das condições disponíveis para financiá-la.

Neste contexto, a diferença entre ter uma fonte de capital e poder escolher entre várias não é apenas financeira. Ela interfere nas possibilidades que cada empresa consegue colocar em prática.

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