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Dom Paulo Romão fala sobre emoção e fé em sua primeira Festa de Nossa Senhora do Rocio

Pela primeira vez como bispo da Diocese de Paranaguá, Dom Paulo Alves Romão se prepara para viver intensamente um dos momentos mais importantes da fé católica no estado: a Festa de Nossa Senhora do Rocio, padroeira do Paraná. Com serenidade e emoção, ele compartilhou o que representa participar dessa celebração que move multidões, renova esperanças e fortalece a fé de milhares de devotos.

“Sempre fui muito devoto à Nossa Senhora. Devo a Ela a minha vocação sacerdotal”, revelou Dom Paulo ao lembrar de uma experiência marcante da infância.

Aos 11 anos, vivendo com a família na zona rural próxima a Bandeirantes, no Norte do Paraná, ele fez uma promessa à Virgem Maria em um dos momentos mais delicados de sua infância. Era tempo de frio intenso, e sua mãe sofria com uma bronquite severa que a impedia de dormir e respirar com tranquilidade. 

Ainda criança, com o coração apertado ao vê-la sofrer, ajoelhou-se diante de uma imagem de Nossa Senhora e, entre lágrimas, fez um pedido sincero: que a Mãe de Deus curasse sua mãe. Em troca, prometeu que iria a nove missas consecutivas em agradecimento pela graça alcançada.

“Minha mãe sofria com uma bronquite horrível, e eu pedia chorando a Nossa Senhora Aparecida, que é a mesma Mãe do Rocio, que a curasse. Prometi que, se ela ficasse boa, eu iria a nove missas seguidas. E Nossa Senhora levou isso muito a sério: curou minha mãe, me fez padre e, depois, bispo”, contou sorrindo.

Na simplicidade da fé de uma criança, aquele gesto marcou o início de uma relação profunda e permanente com Maria. Essa relação de fé e entrega acompanha o bispo até hoje. 

“Tenho uma ligação muito forte com Nossa Senhora. E agora, viver essa festa em Paranaguá, no meio dessa multidão que segue a Mãe de Cristo, me deixa ansioso e muito feliz. Quero aproveitar cada instante”, salientou Dom Paulo.

Um tempo de fé e reencontro

Dom Paulo reflete que a Festa do Rocio representa mais do que tradição, é um encontro de fé em tempos difíceis. 

“Vivemos dias de muita violência, divisões e sofrimento nas famílias. E quando o coração se sente cansado, é à Mãe que recorremos. A festa é um tempo de esperança, de cura e de comunhão”, destacou.

Para o bispo, cada fiel que participa traz consigo uma prece, uma história e um pedaço de sua vida. Cada passo na procissão, cada olhar voltado à imagem de Nossa Senhora do Rocio, carrega um desejo, uma lembrança, uma esperança (Foto: Folha do Litoral News)
Para o bispo, cada fiel que participa traz consigo uma prece, uma história e um pedaço de sua vida. Cada passo na procissão, cada olhar voltado à imagem de Nossa Senhora do Rocio, carrega um desejo, uma lembrança, uma esperança (Foto: Folha do Litoral News)

Para o bispo, cada fiel que participa traz consigo uma prece, uma história e um pedaço de sua vida. Cada passo na procissão, cada olhar voltado à imagem de Nossa Senhora do Rocio, carrega um desejo, uma lembrança, uma esperança ou um agradecimento pessoal. São pedidos por saúde, pela família, pelo trabalho, pelo perdão ou simplesmente pela paz no coração.

“Cada um tem seu pedido, e é justo. Somos filhos, e quem pede à Mãe, o Filho atende. Por isso, imagino a alegria desse povo em seguir Nossa Senhora pelas ruas, pedindo que ela nos ensine a amar mais a Cristo e uns aos outros”, disse o bispo da Diocese de Paranaguá.

Dom Paulo observa que, mesmo aqueles que enfrentam dificuldades ou que se sentem distantes da fé, ao caminhar junto com os demais devotos, sentem uma energia de unidade e de acolhimento, como se cada oração se conectasse em um só coro de amor e confiança em Maria. Ele acredita que, ao caminhar juntos, os devotos descobrem o verdadeiro sentido da fé.

“A festa é um encontro de corações que desejam o bem, a paz e o perdão. Mesmo quem chega com o coração ferido ou magoado, sai transformado. Ninguém volta igual depois de caminhar com a Mãe”, afirma.

A força da união e o poder da intercessão

Ao refletir sobre o papel das celebrações religiosas, Dom Paulo destaca que elas têm o poder de fortalecer os laços e despertar o amor ao próximo.

“Quando as pessoas percebem que têm algo em comum, o desejo de paz, de amor e de misericórdia, tudo muda. A presença de Maria faz o coração se abrir. Ela é a Mãe da misericórdia, do amor, e olhar para ela nos inspira a perdoar, a recomeçar, a ser mais humanos”, declarou o bispo.

Para ele, a procissão e toda a vivência da festa são momentos que tocam profundamente os participantes, ou seja, para o bispo seguir Nossa Senhora é desejar viver como ela ensina: com fé, amor e entrega. “É impossível participar e voltar igual. A gente volta mais confiante, mais disposto a amar e a servir”, afirma Dom Paulo.

Mesmo há pouco tempo na Diocese, Dom Paulo observa a dedicação das paróquias e o envolvimento do povo na preparação da festa. 

“Há uma expectativa muito bonita. Gente que vem de todos os cantos do Paraná para encontrar a Mãe. É um encontro de fé, de emoção e de transformação. Já estou feliz antes mesmo de participar. Quero estar no meio do povo, caminhar junto com eles, olhar para a imagem de Nossa Senhora, que representa a presença viva dela entre nós. Ela está encarnada nesse povo de fé, no gesto, na lágrima, no sorriso, em cada oração”, destacou o bispo.

Para o bispo, a unidade entre Maria e Cristo é o coração da devoção, o eixo central que orienta toda a fé católica e inspira os fiéis a viverem uma vida de amor, entrega e serviço. 

Ele ressalta que Maria, como Mãe de Deus, não apenas acompanha os passos de Cristo, mas também intercede por cada um de nós, acolhendo nossas preces, dores e alegrias. Seguir Nossa Senhora significa, para Dom Paulo, reconhecer Cristo em cada gesto, em cada ação do dia a dia, e buscar refletir o amor divino nas relações com a família, amigos e comunidade.

“Seguir Nossa Senhora é também reconhecer Cristo, dar a vida por Ele e testemunhar o amor de Deus. Ela nos ensina a amar e a nos amarmos. A Mãe quer o bem de todos, e por isso nos faz irmãos”, afirmou Dom Paulo Alves Romão.

Mensagem ao povo de Paranaguá e do Paraná

Encerrando com emoção, Dom Paulo expressou sua gratidão em viver esse novo tempo junto ao povo paranaense. 

“Estou muito feliz de estar aqui. O povo de Paranaguá é profundamente religioso, tem fé viva, e agora eu também sou paranaense”, disse com um sorriso e reafirmou: “Vale a pena ter fé. Vale a pena seguir Cristo e confiar em Nossa Senhora. Quem vive essa experiência volta diferente: mais forte, mais sereno e com o coração cheio de esperança”, finalizou o bispo da Diocese de Paranaguá.

A primeira participação de Dom Paulo Alves Romão na Festa de Nossa Senhora do Rocio representa não apenas um marco em seu bispado, mas um momento de união, fé e renovação espiritual para toda a comunidade de Paranaguá. 

Caminhando ao lado dos fiéis, ele reafirma a força da devoção mariana e o poder transformador da fé, lembrando que, em cada prece e em cada gesto de amor, a Mãe do Rocio guia, conforta e inspira todos a seguir o caminho de Cristo.

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