Percebi um certo alvoroço nas redes sociais e na mídia. Só se falava nele: Jacob Elordi, o ator que dá vida à criatura no filme Frankenstein.
Curiosa, fui pesquisar. O moço tem 28 anos, mede 1,97, é australiano e parece ter passado na fila da beleza umas 200 vezes. A partir daí, comecei a entender a inquietação feminina. Jacob é daqueles sujeitos que, mesmo com todo o esforço do mundo, não consegue passar despercebido. Sua presença é impactante.
A direção do longa Frankenstein é de Guillermo Del Toro. Um homem. Está explicado. Se fosse uma mulher no comando, jamais esconderia a aparência do rapaz sob quilos de próteses que demandavam de 10 a 11 horas diárias para serem aplicadas.
Passados alguns dias, outro rebuliço surgiu. Desta vez, o foco era Caleb Landry Jones, ator e músico norte-americano de 35 anos e 1,81 de altura. Ele interpreta Drácula no filme homônimo, dirigido por Luc Besson.
Observei atentamente a foto de Caleb, tentando identificar o motivo de tanto fascínio por parte das mulheres. Ele tem um charme discreto. Se o retirássemos do contexto sofisticado que envolve celebridades e o víssemos em um ponto de ônibus, de bermuda, camiseta e chinelos, sob um sol escaldante e com os cabelos grudando na testa, provavelmente não despertaria grande interesse. A fama tem dessas coisas: pode realçar aspectos que nem sempre percebemos à primeira vista. Porém, foi lendo alguns comentários deixados pelas admiradoras nas inúmeras postagens em que o artista aparece que me deparei com um que fez total sentido e que transcrevo aqui: “Este homem não possui um padrão estético convencional, mas ele tem um quê.”
E ter “um quê” significa muito. Ao mesmo tempo, é difícil explicar. A gente observa, observa, e a beleza arrebatadora não está lá; no entanto, existe algo que captura a nossa atenção. Pode ser um detalhe no andar, no olhar, no sorriso, na inteligência, no humor… e fique à vontade para completar a lista.
Além disso, o que realmente me intrigou foi o entusiasmo coletivo que esses dois homens despertaram nas mulheres. Nas publicações das redes sociais, elas se dizem perdidamente apaixonadas, suspiram por um amor romântico e até se confundem um pouco quando é preciso separar ficção e realidade.
Entretanto, talvez não seja tão difícil assim de compreender. Quando a dureza do cotidiano nos esgota, não é raro desejarmos uma escapadela para o mundo imaginário, muitas vezes na tentativa de tornar a rotina mais suportável.
O imaginário é território de um único dono. Ninguém mais possui a chave ou tem acesso. É nesse espaço que nos permitimos dar asas às nossas fantasias sem interferências e pré-julgamentos. O pensamento é livre. Que maravilha!
Por isso, em tempos tão áridos de afeto, não surpreende que a fantasia vire abrigo, às vezes, o único que nos resta.