A mobilidade urbana é um dos grandes gargalos de Florianópolis. O problema se agrava durante a temporada de verão. O excesso de veículos, com congestionamentos intermináveis e acidentes, travam a cidade, impactando diretamente na imagem da capital catarinense. Esta situação tem afetado também a qualidade de vida dos moradores e visitantes.
Apesar de ser a única capital brasileira sem agentes municipais de trânsito, Florianópolis tem uma Guarda Municipal (GMF) com atribuições primordiais voltadas à proteção do patrimônio público.
Com um efetivo de apenas 180 agentes — o menor do país —, a GMF delega a função de fiscalização de trânsito a um pequeno grupo de seis profissionais que atuam na área central, um esforço claramente insuficiente para atender uma frota de mais de 411 mil veículos.
O problema não está apenas na falta de fiscalização, mas também na ausência de uma gestão específica e dedicada às demandas do trânsito.
Em outras capitais, agentes especializados garantem fluidez, aplicam desvios durante picos de congestionamento e intervêm rapidamente em situações críticas, como semáforos com defeito ou acidentes. Essa presença, além de organizar o trânsito, reduz acidentes e aumenta a segurança viária.
Embora a recente criação da Secretaria de Operações de Mobilidade represente um avanço ao tratar de planejamento e coleta de dados, ela não inclui a fiscalização, ainda delegada à GMF e à Polícia Militar. A ausência de agentes de trânsito contrasta com a relevância turística e econômica da cidade.
Experiências de outras capitais demonstram que a presença de agentes especializados resulta em maior fluidez e segurança. Além disso, sua atuação educacional, especialmente em uma cidade com forte apelo turístico, é essencial para conscientizar motoristas e reduzir infrações.
A mobilidade é o maior desafio da Capital. É imperativo que Florianópolis se alinhe às demais capitais do país e avance rumo à solução deste problema. A cidade não pode mais adiar a criação de uma guarda de trânsito própria, com agentes treinados e voltados exclusivamente para a fiscalização e organização do fluxo de veículos.
O modelo atual, em que a GMF acumula atribuições, é ineficiente para atender as demandas da mobilidade. Transformar a Guarda Municipal ou criar uma estrutura própria com agentes de trânsito deve ser encarada como prioridade pelo poder público. A população e os visitantes não podem mais ser reféns do caos em que se transformou o nosso trânsito.