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Falta de talentos na criação da seleção aumenta a expectativa pela presença de Neymar

Nada mais natural do que ver espelhado na seleção de Carlo Ancelotti a carência de meias armadores que obriga os clubes brasileiros a importa-los. A ponto de alguns atravessar o Atlântico na esperança de trazer da Europa um tipo que até o século passado era nosso produto de exportação. Por isso, não culpo o italiano pelo jogo sem brilho originado da falta de talentos num setor que deveria expressar o que há de melhor no país pentacampeão do mundo.

Foi o “senão” da vitória por 3 a 0 da seleção brasileira sobre o Haiti na segunda rodada do Grupo C dessa Copa. No mais, o time foi melhor na produção ofensiva; Vini Júnior fez outro bom jogo (e mais um gol); Paquetá fez lançamentos precisos, com eficiente leitura dos espaços; e as linhas ofensivas produziram associações eficazes. Não é um conjunto que produz encantamento, mas Ancelotti crê ser capaz de torna-lo a cada jogo mais competitivo e eficaz.

A manutenção de Casemiro, que havia deixado má impressão na estreia, e a volta de Matheus Cunha, autor de dois gols sobre o Haiti, e que havia perdido a condição de titular às vésperas de a bola rolar, talvez sejam exemplos de que é possível evoluir. O passo seguinte será a inserção de Neymar. Há ansiedade por este momento e a presença do craque no banco de reservas contra a Escócia é vista como parte da preparação para o primeiro duelo eliminatório.

O talento e a experiência de Neymar surgem como trunfo. Por ora, não para melhorar o futebol do time. Mas para prorrogar a presença nesta Copa. O camisa 10 não tem a explosão de antes, e tampouco se espera dele o êxito em duelos individuais – como eu, por exemplo, gostaria de ver. No entanto, Neymar pode funcionar tanto no elo com o ataque, quanto na bola que sobra na área – pela visão de jogo, pela técnica e pela noção de espaço. E com o tempo (se tempo houver!) injetar qualidade.

Antes disso, porém, Ancelotti terá de encontrar uma solução para a ausência de Raphinha. Rayan foi escolhido num primeiro momento por sua capacidade de recompor o meio e se associar com Vinicius Júnior e Matheus Cunha. Não significa, no entanto, que a função não possa vir a ser desempenhada por Luiz Henrique, considerado mais útil na quebra dos blocos defensivos. Como a Escócia deve se fechar em busca de um ponto, o treinador alimentará a dúvida até o dia do confronto.

Por certo, é problema demais para a gestão de expectativas em plena Copa do Mundo. Nada que já não se pudesse prever num ciclo tão mal planejado…

FORA DA COPA? A quarta lesão no músculo posterior da coxa direita de Raphinha, o deixa em condições difíceis de voltar a ser utilizado. O atacante chegou ao sétimo jogo de Copa do Mundo e sem participações em gol, com 447 minutos de atuação.

RENASCER. Aos 25 anos, já eleito o melhor do mundo pela Fifa em 2024, Vinícius Júnior chegou a sexta participação em gols em seis jogos de Copa do Mundo, com 472 minutos de atuação.

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