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Lula diz que só falará sobre tarifaço quando Trump se pronunciar, mas já faz acusação – Gazeta Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (17), que só falará sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos quando o presidente americano, Donald Trump, se pronunciar. A declaração foi feita durante visita à Carreta da Saúde da Mulher, no Rio de Janeiro.

“Vocês percebem que falei para caramba e não falei do tarifaço. Não vou falar porque a notícia tem que ser as nossas carretas e o tratamento das mulheres. Por isso, vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Vou mostrar que, contra o Brasil, ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro que nós, ou não vai enganar a sociedade brasileira”, declarou o petista.

O tarifaço

A tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros foi oficializada pelo governo norte-americano na quarta-feira (15). A medida foi proposta em 1º de junho, após o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) concluir uma investigação da Seção 301 contra o Brasil. O governo americano justificou a ação como resposta a práticas comerciais que considera injustas.

O documento do USTR lista como alvos da apuração temas como o Pix, comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. Uma das conclusões aponta que o Brasil adota políticas públicas que favorecem o Pix, colocando empresas americanas do setor de pagamentos eletrônicos em “desvantagem injusta”.

Reação do governo brasileiro

Em nota, o Palácio do Planalto classificou a decisão como “um marco lastimável” nas relações entre os dois países e informou que acionará a Lei de Reciprocidade, além de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). O governo brasileiro considera as tarifas “injustas” e retirou temas como o Pix da mesa de negociação.

No início da semana, em 13 de julho, Lula chegou a dizer que o tarifaço não seria implementado, mas não esclareceu o motivo de sua avaliação.

Negociações e audiência

Equipes técnicas dos dois governos já realizaram diversas reuniões do Grupo de Trabalho instituído para as negociações. Houve cinco encontros de alto nível com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O último ocorreu na terça-feira (14), um dia antes do anúncio do novo tarifaço.

Nos dias 6 e 7 de julho, o USTR promoveu uma audiência pública antes da decisão final. O governo brasileiro optou por não enviar representantes para discursar. Os únicos presentes do Executivo foram integrantes da Embaixada do Brasil em Washington, que compareceram na condição de observadores. O senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteve presente no segundo dia da audiência, mas sua manifestação não alterou o rumo da decisão de Washington.

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