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Mesmo com custos mais altos, 86% dos viajantes não abrem mão das férias

Viagens nacionais lideram as escolhas e experiências passam a definir os roteiros (Divulgação Travel Europe)

Mesmo diante da inflação e do aumento dos custos das viagens, o turismo continua entre as prioridades dos consumidores em 2026. Um levantamento da Allianz Partners, realizado em parceria com a Ipsos, mostra que 74% das pessoas entrevistadas pretendem viajar durante as férias de verão no Hemisfério Norte. O estudo também aponta uma mudança importante no comportamento dos turistas, que passaram a escolher destinos mais próximos, controlar melhor o orçamento e priorizar experiências durante a viagem.

A pesquisa ouviu 11.010 pessoas em dez mercados considerados estratégicos para o turismo mundial: China, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Índia, Itália, Holanda, Espanha, Suíça e Estados Unidos. O cenário identificado indica que o interesse por viajar permanece elevado, embora a forma de viajar esteja passando por transformações em razão do cenário econômico.

Turismo doméstico ganha espaço entre os viajantes

Viajar dentro do próprio país tornou-se a principal alternativa para parte dos turistas. Segundo o levantamento, 42% dos entrevistados afirmaram que pretendem fazer férias em destinos nacionais neste ano.

Praias, regiões de montanha e destinos no interior concentram 31% das preferências entre quem escolheu permanecer no próprio país. Outros 19% optaram pelas chamadas viagens curtas para grandes cidades, conhecidas como city breaks, modelo que permite reduzir custos com transporte e hospedagem sem abrir mão do período de descanso.

O comportamento varia conforme o país. Na Índia, 60% dos entrevistados pretendem viajar apenas pelo território nacional. Na China, esse índice chega a 59%, enquanto nos Estados Unidos alcança 51%. Espanha aparece com 49% e França com 41%.

Em contrapartida, moradores da Suíça demonstram maior interesse por viagens internacionais, com 61% planejando sair do país. Holanda registra 55%, seguida por Grã-Bretanha, com 42%, e Alemanha, com 41%.

Entre todos os mercados analisados, a França também reúne o maior percentual de pessoas que afirmaram não ter intenção de viajar durante o verão europeu. Ao todo, 41% disseram que permanecerão em casa.

Alta dos preços altera o planejamento das férias

O estudo mostra que a inflação continua sendo o principal fator de preocupação para quem pretende viajar. Cerca de 77% dos entrevistados afirmaram estar preocupados com o aumento dos custos relacionados às férias.

Mesmo assim, cancelar a viagem não aparece como alternativa para a maioria dos consumidores.

Segundo a pesquisa, 86% consideram importante manter ao menos um período de férias durante o ano, enquanto 82% afirmam que precisam descansar e viajar em 2026.

Para tornar esse planejamento possível, muitos consumidores passaram a reorganizar o orçamento. Cerca de 61% disseram reduzir despesas consideradas não essenciais ao longo do ano para preservar os recursos destinados às férias. Outros 47% optaram por diminuir o tempo da viagem, escolher hospedagens mais econômicas ou adaptar o roteiro para manter os gastos dentro do planejado.

Gastos variam bastante entre os países

O valor destinado às férias também apresenta diferenças significativas conforme o mercado analisado. A média global estimada pela pesquisa é de 1.572 euros por pessoa.

Os suíços lideram o ranking de gastos, com previsão média de 2.580 euros por viajante. Em seguida aparecem Estados Unidos, com 2.261 euros, e China, com 2.221 euros.

Na sequência estão Holanda, com média de 1.752 euros, Grã-Bretanha, com 1.489 euros, e Alemanha, com 1.431 euros.

Entre os menores valores aparecem França, com média de 991 euros, Itália, com 986 euros, Espanha, com 952 euros, e Índia, com aproximadamente 800 euros por pessoa.

A pesquisa também identifica uma redução na intenção média de gastos entre consumidores europeus e norte-americanos quando comparada ao levantamento realizado no ano anterior.

Experiências se tornam prioridade nas viagens

Além da escolha do destino, o levantamento mostra uma mudança nas motivações para viajar. Mais do que descansar, turistas procuram experiências capazes de tornar a viagem mais memorável.

Segundo o estudo, 54% pretendem participar de shows, festivais, apresentações culturais ou eventos artísticos durante as férias.

Os eventos esportivos também aparecem entre as principais atrações, sendo prioridade para 41% dos entrevistados.

Outro segmento que demonstra crescimento é o de cruzeiros marítimos, expedições e passeios fluviais. Aproximadamente 36% dos viajantes afirmaram que pretendem incluir esse tipo de experiência nos próximos roteiros, indicando uma busca crescente por viagens com programação diversificada e contato mais próximo com os destinos.

Seguro viagem acompanha crescimento das incertezas

O levantamento também mostra que o seguro viagem deixou de ser visto apenas como uma proteção contra imprevistos e passou a integrar o planejamento das férias.

Entre aqueles que contratam esse tipo de cobertura, 85% apontam a tranquilidade durante a viagem como principal motivo para a compra. O mesmo percentual cita proteção diante de imprevistos que possam interromper a viagem.

Já 84% afirmam que buscam garantir reembolso em casos de cancelamento.

A contratação costuma ocorrer logo no momento da reserva. Segundo a pesquisa, 42% compram o seguro simultaneamente à aquisição da viagem.

Entre os canais mais utilizados estão seguradoras, responsáveis por 31% das vendas. Sites de viagens online e agências de turismo aparecem com 13% cada, enquanto bancos respondem por 9%. Companhias aéreas e plataformas de comparação de seguros registram 6% das contratações cada.

Apesar do crescimento desse mercado, 20% dos entrevistados afirmaram que não pretendem contratar seguro viagem neste verão europeu. Outros 13% ainda não decidiram se irão adquirir a cobertura.

Segundo Anna Kofoed, Chief Officer Global Strategic Partnerships da Allianz Partners, o levantamento mostra que o interesse por viajar permanece elevado, mas acompanhado por decisões mais conscientes.

“Ao invés de desistirem das viagens, os consumidores estão se adaptando. Escolhem destinos mais próximos, administram melhor seus orçamentos e priorizam experiências que realmente justificam o investimento. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com imprevistos, fazendo com que o seguro viagem passe a representar mais tranquilidade durante toda a jornada”, afirma.

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