A chinesa Geely é mais uma marca com grandes planos para o Brasil. Após lançar o SUV EX5 em julho e o hatch EX2 no início de novembro, a fabricante já antecipou que tem objetivos de longo prazo na região, firmando uma parceria com a francesa Renault para, em médio prazo, produzir seus modelos localmente.
Mas, ao que tudo indica, os planos da estreante não envolvem apenas veículos elétricos. Prova disso é o flagra feito em São Paulo (SP), nas proximidades do Autódromo José Carlos Pace, na zona sul. As imagens que você vê aqui são as primeiras do SUV EX5 na versão híbrida plug-in rodando no país.
7
Fonte: Thomas Tironi
O modelo é novidade até mesmo no exterior. Lançado inicialmente na China, no início do ano, chegou em setembro à Austrália e à Rússia, com previsão de desembarcar em outros mercados até o próximo ano, incluindo Polônia, Indonésia, Tailândia, México e demais países emergentes.
No visual, as principais diferenças em relação ao EX5 elétrico estão na dianteira, que adota novos faróis e uma grade com elementos pixelados conectando as luzes principais. Diferente do SUV 100% elétrico, há também faróis de neblina e uma grade inferior mais aberta, que melhora a refrigeração do conjunto mecânico.

Foto de: Redação Motor1 Brasil

Foto de: Redação Motor1 Brasil

Foto de: Redação Motor1 Brasil
Fotos de: Redação Motor1 Brasil
Cara nova
A Geely também promoveu pequenas mudanças nas laterais. No híbrido, as maçanetas passam a ser convencionais, e não retráteis, enquanto as rodas de liga leve trazem desenho exclusivo. Na traseira, a placa migrou do para-choque para a tampa do porta-malas, e as lanternas interligadas seguem o padrão comum em carros asiáticos.
Em dimensões, o EX5 EM-i mede 4.740 mm de comprimento, 1.905 mm de largura e 1.685 mm de altura, com 2.755 mm de entre-eixos e bitolas de 1.635 mm. A altura livre do solo é de 172 mm. Em relação ao EX5 tradicional, o novo híbrido é 13 cm mais longo, 0,5 cm mais largo e 1,5 cm mais alto, mantendo praticamente o mesmo entre-eixos — apenas 0,5 cm maior.

Foto de: Redação Motor1 Brasil
”Super híbrido”
A principal diferença do EX5 elétrico para o híbrido plug-in, entretanto, está na motorização. O EX5 PHEV é o primeiro modelo da marca a utilizar o sistema “Super Híbrido” EM-i (E-Motive Intelligence). O conjunto combina um motor 1.5 de quatro cilindros, com 99 cv e 12,7 mkgf, a um motor elétrico de 217 cv e 32,6 mkgf, que move as rodas dianteiras. A energia vem de uma bateria de fosfato de ferro-lítio (LFP) de 18,4 kWh.
A bateria permite recarga em corrente alternada (6,6 kW) e carregamento rápido em corrente contínua (30 kW), completando de 30% a 80% em cerca de 20 minutos. O SUV híbrido tem autonomia total de até 943 km (WLTP) e pode rodar 83 km no modo 100% elétrico, com consumo médio de 41,6 km/l e gasto elétrico de 14,7 kWh/100 km.
Caso realmente chegue ao Brasil, a nova variante do SUV deve ter preço inferior aos R$ 205.800 e R$ 225.800 cobrados pelas versões elétricas atualmente disponíveis — como já ocorre nos mercados onde é vendida.
Na Austrália, por exemplo, o modelo parte de AUD 37.490 (cerca de R$ 131.200) e vai até AUD 39.990 (aproximadamente R$ 139.960), valores abaixo das versões elétricas locais, que custam AUD 40.990 (R$ 143.460) e AUD 44.990 (R$ 157.460).

32
Fonte: Divulgação
Pode virar nacional
Há alguns dias, conversamos com Ariel Montenegro, novo CEO do grupo Renault e que também cuidará da Geely no país, sobre as expectativas da marca após a aquisição de 26% da operação da marca francesa no país.
Segundo ele, a aliança já reduziu custos operacionais e permitirá lançamentos nacionais e regionais com componentes compartilhados e base produtiva em São José dos Pinhais (PR), onde a Geely agora tem acesso à estrutura do Complexo Ayrton Senna.

Geely EX2, outro candidato a virar nacional, chegou com preços agressivos trazendo espaço de Dolphin por preço de Dolphin Mini
Foto de: InsideEVs Brasil
Com isso, as peças do futuro da Renault e da Geely no Brasil começam a se encaixar. Segundo Montenegro, a operação da Geely no país deve usar a estrutura industrial, logística e de pós-venda da Renault, mas com concessionárias independentes.
O formato seguirá um modelo bem parecido com o adotado pelo grupo Stellantis, responsável por marcas como Leapmotor, Fiat e Jeep, e que compartilham o mesmo espaço físico e gestão de grupo, mas mantêm identidade e operação separadas entre elas.

Foto de: Divulgação
A expectativa é que, em médio prazo, a Geely inicie também sua produção local de elétricos e híbridos no Paraná, dividindo linhas e componentes com a Renault. “A ideia é combinar a escala e o conhecimento industrial de uma com a tecnologia global da outra. Isso nos torna mais competitivos e acelera a transição elétrica no Brasil”, concluiu.
Queremos a sua opinião!
O que você gostaria de ver no Motor1.com?
Responda à nossa pesquisa de 3 minutos.
– Equipe do Motor1.com