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O que dois mosteiros nos ensinam sobre a reconstrução da civilização ocidental

Eu era vigário da Igreja da Inglaterra quando um sacerdote com deficiência me pediu que o ajudasse a manejar sua cadeira de rodas durante uma visita à Ilha de Wight. É uma ilha de uns 22 quilômetros de comprimento por 11 de largura, situada logo ao sul da costa da Inglaterra; esse é um recanto idílico e muito pouco conhecido do país. Eu ajudava o padre a entrar no carro, colocava a cadeira de rodas no porta-malas e repetia esse processo continuamente enquanto viajávamos de um lugar para outro pela ilha. Um dos locais que visitamos foi a abadia beneditina de Quarr.

Quarr é uma comunidade monástica singular; é um dos únicos dois mosteiros de língua inglesa pertencentes à congregação francesa de Solesmes. Para quem não está familiarizado com o assunto, a ordem beneditina é composta por diversas congregações independentes, cada uma com suas próprias tradições nacionais, históricas, litúrgicas, e seus ministérios. Os beneditinos ingleses, por exemplo, são conhecidos por manter internatos ligados aos seus mosteiros, pois, durante os tempos das perseguições penais na Inglaterra, as famílias católicas recusantes (que tinham esse nome porque se recusavam a participar das celebrações da Igreja da Inglaterra, anglicana) enviavam seus filhos para serem educados pelos beneditinos ingleses estabelecidos na França.

A congregação de Solesmes foi fundada por Dom Prosper Guéranger na década de 1830, como uma restauração da vida beneditina após a Revolução Francesa. Guéranger não apenas restaurou a vida monástica beneditina, mas também reviveu o canto gregoriano, que havia sofrido séculos de abandono e decadência.

As violentas vicissitudes da política francesa continuaram a provocar conflitos. Desde sua restauração, Solesmes foi dissolvida pelo governo francês nada menos que quatro vezes. Em 1880, 1882 e 1883, os monges foram expulsos à força, mas, protegidos pela população local, conseguiram retornar à abadia. Mais tarde, durante a Terceira República, os demais membros das ordens religiosas também foram expulsos da França.