O Teatro das Máscaras

Caro leitor, permita-me te arrancar da cômoda letargia da hipocrisia cotidiana. Vivemos numa sociedade de túmulos caiados, onde a cal branca da aparência encobre a podridão da alma. Olhe ao redor: quantos você conhece que se esforçam heroicamente para parecer o que jamais foram nem serão?

Essa criatura patética e ao mesmo tempo admirável, classificada como homo sapiens – homem moderno – despende mais energia polindo a embalagem do que cuidando do conteúdo. É um virtuose da contradição: fala de moral enquanto trapaceia no troco, proclama honestidade enquanto sonega impostos, prega fidelidade enquanto trai no primeiro motel da esquina. O discurso é uma coisa; a vida, outra completamente diferente.

Mas o mais desolador não é enganar os outros – isso até pode ser perdoável, quase desportivo. O verdadeiramente trágico é quando ele começa a acreditar nas próprias mentiras. É quando se torna refém da própria farsa, prisioneiro da máscara que colou na cara.

Quantos você conhece que insistem obstinadamente em dizer que são generosos, quando na verdade são sovinas? Que se dizem corajosos, quando tremem diante da primeira dificuldade? Que se proclamam íntegros, quando vendem a alma por uma mixaria? Aquilo que gritam aos quatro ventos que são, meu caro leitor, é exatamente aquilo que não são. É o grito desesperado de quem tenta se convencer da própria fantasia.

O fato é que: por mais hábil que seja a performance, por mais elaborada que seja a encenação, a verdade sempre escapa pelos poros. Escapa num gesto involuntário, numa palavra mal colocada, num olhar desguarnecido. A máscara escorrega nos pequenos detalhes, nos momentos em que baixamos a guarda e revelamos nossa real natureza.

Meu caro leitor, o mundo está farto de boas intenções – essa moeda falsa da consciência tranquila. O que falta são boas ações, gestos concretos, atitudes que correspondam aos discursos inflamados. São suas ações, meu caro, que te identificam. Não seus projetos, não suas declarações, não suas promessas. Suas ações.

Caríssimo, para se aperfeiçoar, é preciso primeiro se conhecer. E se conhecer significa ter a coragem brutal de olhar no espelho sem maquiagem, sem filtros, sem artifícios. Significa aceitar suas pequenezas, suas contradições, suas misérias morais. Só assim é possível começar a verdadeira mudança.

“Acorda, Cinderela… o sonho acabou.” Você pode enganar alguns por muito tempo, muitos por algum tempo, mas não consegue enganar todos por todo o tempo. E, principalmente, não pode enganar a si próprio indefinidamente. A realidade tem a inconveniente mania de se impor.

Por quanto tempo você acredita que pode sustentar essa comédia? Por quanto tempo ainda vai gastar energia preciosa mantendo uma fachada que engana cada vez menos gente?

A vida é curta demais para ser desperdiçada numa farsa. Tenha a coragem de ser quem realmente você é – com defeitos, limitações e tudo mais. É infinitamente mais digno ser um pecador autêntico do que um santo postiço.

A verdade liberta. A mentira aprisiona. Principalmente quando contada para o espelho.

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Grande Oriente do Paraná 

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