O empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nos três maiores colégios eleitorais do país coloca São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro no centro da disputa pela Presidência.
A pouco mais de um mês do primeiro turno, pesquisas da Quaest mostram diferenças de apenas um ou dois pontos percentuais entre os dois candidatos nesses estados.
Em São Paulo, Flávio aparece com 30% das intenções de voto, ante 29% de Lula. Em Minas Gerais, são 31% para o senador e 30% para o presidente. No Rio, Flávio registra 31%, contra 29% do petista. As diferenças estão dentro das respectivas margens de erro.
O equilíbrio ganha peso pelo tamanho desses eleitorados. São Paulo, Minas e Rio concentram, juntos, cerca de 63 milhões de eleitores. O resultado de 2022 ajuda a dimensionar a importância da região.
Há 4 anos, Lula venceu Jair Bolsonaro por pouco mais de 2,1 milhões de votos no país, menor diferença de uma eleição presidencial desde a redemocratização. O petista terminou com 50,90% dos votos válidos, contra 49,10% do então presidente.
Naquele segundo turno, Bolsonaro abriu vantagens expressivas sobre Lula em São Paulo e no Rio. Minas Gerais, por outro lado, terminou praticamente dividido ao meio. A combinação desses três resultados teve papel relevante na matemática que levou a disputa nacional até os últimos minutos da apuração.
Os números atuais da Quaest indicam que as campanhas chegam a 2026 sem uma vantagem consolidada justamente nesses territórios.
São Paulo é o maior prêmio
A principal disputa está em São Paulo. Em 2022, Jair Bolsonaro conquistou 55,24% dos votos válidos no estado, contra 44,76% de Lula. Foram 14,2 milhões de votos para o então presidente e 11,5 milhões para o petista, uma diferença próxima de 2,7 milhões.
Essa vantagem paulista foi superior à diferença pela qual Lula venceu a eleição nacional. Em termos práticos, o resultado mostra o tamanho do impacto que uma mudança relativamente pequena no eleitorado de São Paulo pode produzir sobre a contagem nacional.
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A Quaest de agosto apresenta agora uma distância muito menor entre os principais candidatos no primeiro turno. Naquele levantamento, Flávio tinha 30% e Lula, 29%. Para o senador, um dos desafios será preservar a vantagem que o pai construiu no estado. Para Lula, reduzir a diferença registrada quatro anos atrás pode diminuir a necessidade de compensar votos em outras regiões.
O cenário paulista também envolve a disputa estadual. Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de Flávio e candidato à reeleição, lidera as pesquisas para o Palácio dos Bandeirantes. A campanha presidencial do PL tenta aproveitar a força eleitoral do governador para sustentar sua vantagem no maior colégio eleitoral brasileiro.

Menos de 50 mil votos em MG
Minas Gerais oferece uma referência ainda mais direta sobre o potencial de uma disputa apertada. Lula venceu Bolsonaro no estado em 2022 por apenas 0,4 ponto percentual, por 50,20% a 49,80%. A diferença ficou em aproximadamente 50 mil votos. Foi o resultado estadual mais equilibrado daquele segundo turno.
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Quatro anos depois, a Quaest encontra novamente um eleitorado dividido. Flávio registra 31%, e Lula, 30%. Há ainda 17% de indecisos, a maior proporção entre os três estados analisados.
O dado amplia a importância das próximas semanas de campanha em Minas. Com uma distância mínima entre os candidatos e uma parcela relevante do eleitorado sem escolha definida, o estado oferece espaço para movimentações capazes de alterar a vantagem nacional.
A campanha de Lula aposta na exposição de investimentos federais realizados no estado durante o atual mandato. Flávio, por sua vez, busca preservar a competitividade alcançada pelo bolsonarismo em um eleitorado que terminou praticamente dividido em 2022.
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No Rio, a imagem Bolsonaro
Entre os três estados, o Rio de Janeiro apresentou em 2022 a maior diferença proporcional em favor de Jair Bolsonaro. O então presidente recebeu 56,53% dos votos válidos, enquanto Lula ficou com 43,47%. Foram cerca de 5,4 milhões de votos para Bolsonaro e 4,15 milhões para o petista, vantagem de aproximadamente 1,25 milhão.
A pesquisa Quaest mostra agora uma disputa bem mais estreita no primeiro turno. Flávio, que construiu sua carreira política no estado, tem 31%, enquanto Lula registra 29%.
O resultado torna o Rio relevante para as duas campanhas por razões distintas. Flávio precisa converter sua ligação com o estado e o histórico eleitoral do pai em vantagem nas urnas. Lula tem a oportunidade de reduzir uma diferença que, há quatro anos, ajudou Bolsonaro a compensar parte da vantagem petista obtida principalmente no Nordeste.
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Indecisos aumentam peso do Sudeste
A Quaest registra ainda uma parcela relevante de eleitores sem candidato nesses três estados. Os indecisos são 17% em Minas Gerais, 16% no Rio e 13% em São Paulo.
Esse contingente amplia a margem para mudanças durante a campanha e ajuda a explicar por que Lula e Flávio devem concentrar parte relevante das agendas no Sudeste.
O histórico de 2022 mostra a dimensão dessa disputa. Bolsonaro acumulou vantagem de quase 4 milhões de votos sobre Lula somando apenas São Paulo e Rio de Janeiro. Minas praticamente anulou um ao outro. Lula precisou compensar esse saldo principalmente com sua ampla vantagem no Nordeste para terminar nacionalmente cerca de 2,1 milhões de votos à frente.
Se o equilíbrio registrado atualmente pela Quaest persistir até outubro, a matemática pode ser diferente em 2026. Uma redução da vantagem bolsonarista em São Paulo e no Rio favoreceria Lula mesmo sem uma expansão significativa de sua votação nesses estados. Para Flávio, reconstruir margens próximas às obtidas pelo pai em 2022 aumentaria a pressão sobre o presidente para compensá-las em seus redutos.