Líderes do PL no Senado e na Câmara apresentaram uma notícia-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os parlamentares também enviaram um pedido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para afastar preventivamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
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A representação foi protocolada nesta terça-feira (1º) pelo líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), e pelo líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), com assinaturas do partido Novo e do deputado Marcel van Hattem (Novo-RS). O grupo pede a investigação de Moraes por supostos crimes de tráfico de influência e obstrução de justiça, além de requerer o afastamento cautelar e a prisão preventiva do magistrado.
A iniciativa ocorreu após a revelação de documentos da Polícia Federal sobre o caso do Banco Master e os contatos entre o ex-dono da instituição, Daniel Vorcaro, e o ministro.
Mensagens e contrato milionário
A notícia-crime cita mensagens encontradas pela PF no celular de Vorcaro. Segundo os autores, as conversas indicam que o empresário buscava influência e falava na “proteção de Andrei e de Paulo” — referindo-se ao chefe da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Os parlamentares afirmam que o banqueiro tentou usar os contatos para atrasar ou barrar medidas da Operação Compliance Zero.
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O documento também relaciona os diálogos a um contrato de R$ 108 milhões (com parcelas mensais de R$ 3 milhões por 36 meses, dos quais cerca de R$ 80 milhões já teriam sido quitados) firmado entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. A denúncia aponta que Moraes teria usado seu próprio login e senha para alterar a minuta do acordo.
“É preciso saber por que um ministro do Supremo estava editando o contrato da própria esposa com o Banco Master”, afirmou Marinho durante uma entrevista coletiva.
Pedido contra o chefe da PF e cobranças ao STF
Em um ofício separado enviado ao presidente Lula, Marinho e Cabo Gilberto pediram o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues. Eles justificam que é preciso esclarecer se o diretor-geral teve contatos indevidos com Vorcaro ou vazou informações sigilosas da investigação, ressaltando que o pedido “não representa antecipação de responsabilidade penal ou administrativa”.
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Os parlamentares também acionaram o presidente do STF, Edson Fachin, cobrando a realização de uma sessão presencial e pública do plenário para debater o caso. “Não é possível que um caso dessa gravidade seja tratado apenas nos bastidores”, declarou Marinho.
Em paralelo às medidas na PGR e no governo, o bloco oposicionista protocolou mais um pedido de impeachment contra Moraes no Senado. “Não estamos aqui fazendo julgamento. Estamos pedindo investigação. Os fatos são graves e precisam ser esclarecidos”, concluiu o senador.
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