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Por que defensores ambientais têm tanta dificuldade em acessar a Justiça? 

Estudo lançado pela Transparência Internacional – Brasil revela que o sistema de justiça brasileiro, em vez de proteger, frequentemente atua como um obstáculo para defensoras e defensores ambientais na Amazônia Legal. O relatório “Defensores Ambientais em Risco: A Dificuldade de Acesso à Justiça” detalha como a corrupção e a captura institucional alimentam um ciclo de violência e silenciamento nos territórios.  

O Brasil permanece como um dos países mais perigosos do mundo para o ativismo ambiental, com 401 assassinatos registrados entre 2012 e 2023. O relatório combina análise de relatórios e notícias da imprensa com entrevistas que expõem a dura realidade enfrentada por defensores ambientas do Pará, que concentra o maior número de ocorrências.  

A punição é a exceção: menos de 4% dos ataques fatais ocorridos entre 2009 e 2018 foram levados a julgamento. A falta de proteção gera um “efeito silenciador” (chilling effect), em que comunidades inteiras se calam por medo. 

A morte vem primeiro que a Justiça. Porque você denuncia, a Justiça notifica a pessoa, o advogado pega todo o processo e identifica os nomes. Pronto, os fazendeiros todos sabem quem é que fez a denúncia. Eles dizem que tem sigilo pela Justiça, mas não, não tem. Na maioria dos casos, a Justiça empurra a pessoa para a morte”, disse uma líder comunitária paraense numa das entrevistas que constam no relatório.

Quais são as barreiras estruturais no acesso à Justiça?

O estudo identificou quatro barreiras que dificultam o acesso à Justiça para defensores ambientais amazônidas: a corrupção e a captura institucional; as limitações geográficas e estruturais; preconceitos raciais e de gênero e invisibilização; e o assédio judicial.  

  1. Corrupção e Captura Institucional: Interesses econômicos e políticos poderosos cooptam delegacias e varas judiciais, convertendo o sistema em uma ferramenta de perseguição contra quem denuncia crimes ambientais. 
  1. Limitações Geográficas e Estruturais: A precariedade de conectividade, defensorias subfinanciadas e a distância dos centros urbanos tornam a justiça inacessível para muitas comunidades ribeirinhas e indígenas.  
  1. Preconceito e Invisibilização: O racismo ambiental e o preconceito de gênero operam na omissão e hostilidade de agentes públicos, atingindo desproporcionalmente povos indígenas, quilombolas e mulheres.  
  1. Assédio Judicial (SLAPPs): O uso estratégico de ações judiciais infundadas para intimidar lideranças e silenciar denúncias. Essa prática, conhecida internacionalmente como SLAPP (sigla para Strategic Lawsuits Against Public Participation), compromete o direito à participação pública e à liberdade de expressão. 
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Assassinados numa emboscada na cidade de Nova Ipixuna (PA) em 2011, os extrativistas José Cláudio da Silva e Maria do Espírito Santo se tornaram símbolos da proteção à Floresta Amazônica. Foto: Felipe Milanez

Os números da violência contra defensores e defensoras ambientais

Segundo a organização Terra de Direitos, entre 2023 e 2024 foram registrados 486 casos de violência contra defensores de direitos humanos no Brasil