Cerca de 72% dos usuários de IA no Brasil afirmam que não poderiam produzir o que produzem hoje há um ano atrás. É o que mostra o último estudo de Work Trend Index, da Microsoft. Como forma de elevar a experiência corporativa com a IA e auxiliar empresas a implementá-la de forma eficiente, a Microsoft apresenta o conceito de Frontier Transformation, que nada mais é que transformação de ponta.
O conceito foi explorado durante uma palestra ministrada no StartSe, festival de inteligência artificial que acontece em São Paulo entre os dias 13 e 14 de maio. Priscyla Laham, presidente da Microsoft Brasil aproveitou o momento para reforçar uma das grandes missões da companhia: ser forte no ambiente corporativo, com foco em segurança, produtividade e, agora, inteligência artificial.
“Os objetivos de negócio não mudaram por causa da IA, mas ela é uma habilitadora de transformação. Muda a indústria, muda a forma como nós trabalhamos, muda a composição de força de trabalho dentro das empresas, mas a IA não é o resultado final”, afirma.
A executiva explica que a tecnologia é o pontapé para alcançar algum objetivo. Estruturar toda uma operação, ponta a ponta com base na IA e sem conexão com o objetivo do negócio, dificilmente vai trazer o retorno esperado. “É habilitador muito importante, porque coisas que eram impossíveis antes, se tornam possível. Então hoje, quase tudo é possível, porque a tecnologia está disponível”.
Vale ressaltar, no entanto, que para ter o melhor aproveitamento da IA, é necessária adaptação humana, o que não é sinônimo de substituição de mão de obra — algo que Priscyla faz questão de frisar. A IA promete, sim, uma profunda transformação nesse sentido, o que envolve automatização de determinadas atividades e o surgimento de novos cargos em diferentes setores, e por isso é imprescindível que profisisonais busquem capacitação na área e adaptação a novas formas de trabalho.
A executiva toma como exemplo o GitHub Copilot CLI que, segundo ela, é atualmente o maior frenesi na Microsoft. “Você pede algo simples e ele olha todo o contexto, me traz forças, fraquezas, sugere feedbacks… Estamos pirando com esse negócio!”, comenta. A presidente acrescenta, no entanto, que a ferramenta exige a capacidade de analisar dados e de colocá-los de uma maneira que contribua pra empresa. “O GitHub Copilot tem contexto, acesso aos meus chats no Teams, às minhas calls, ao meu e-mail, ao SharePoint… Isso faz com que tenhamos um layer de inteligência, mas exige que as pessoas aprendam a usar”.
A adoção de IA, segundo Priscyla, passa por três fases: assistência, inclusão de agentes pontuais, e execução autônoma liderada por humano — processo esse que é recorrente em diferentes empresas, dado o surgimento regular de novas tecnologias. A etapa de transformação efetiva do negócio também foi estruturada em pilares pela executiva:
1. Força de trabalho:
“Quase toda inteligência de negócio está na força de trabalho. Então a primeira coisa é enriquecer a experiência do funcionário, dar acesso à ferramenta e fazer uma mudança cultural. Se você não tem a conexão entre pessoas e processos bem feita, com contexto, com entendimento do trabalho, com certeza você não vai ter decisões mais rápidas”.
2. Relação com os clientes:
“Os clientes estão esperando por outras coisas na era pós advento de IA generativa. No e-commerce, quase tudo dá pra ser feito com tecnologia, então o que vamos fazer pra mudar a minha relação com o cliente? A maior discussão hoje é: eu quero colocar gente no processo de negócio. Processo de negócios desconectado das pessoas não vai dar bom”.
3. Acelerar a curva de inovação:
“Aí tem a construção de produtos novos. Como Microsoft hoje, 40% do desenvolvimento de software é feito por agentes. Tecnologia é o nosso core business. Nós realocamos as prioridades e, ao invés de ter uma redução de pessoas, o que eu tenho é quatro vezes a velocidade de novos recursos, o que pra nós é essencial”.
4. Governança e Fluidez
“As áreas de IT e Business precisam trabalhar juntas. Então governança, decidir qual que é a estrutura de IA usada no negócio é muito importante. E não necessariamente são apostas que depois nunca mais se pode voltar atrás, mas tem que ser o mais interoperável e aberto possível. Isso é uma quebra de paradigma pra quem é executivo, porque as grandes empresas estavam muito acostumadas aos organogramas, e isso muda completamente com agentes. São necessárias estruturas fluídas, que possam se montar e desmontar”.
6. Segurança
“Segurança é o que permeia tudo isso, e talvez seja a moeda mais importante que temos para jogar. Vivemos um momento de inflexão na sociedade, porque não é sobre tecnologia, é sobre humanidade, como que estas empresas garantem segurança e como eu preparo a sociedade?”
Em suma, o compromisso da Microsoft com as empresas é elevar o nível de inteligência. O gap aqui, segundo Priscyla, não é falta de tecnologia, mas falta de informação e conexão entre fluxos.
Sob sua gestão, a Microsoft assume dois compromissos centrais no mercado brasileiro: um investimento de R$ 14,7 bilhões em infraestrutura de nuvem e IA até 2027 e a meta de capacitar 5 milhões de brasileiros em habilidades de IA no mesmo período. “Nós fizemos esse compromisso com o Brasil porque acreditamos nesse mercado. Minha missão como presidente da Microsoft não é fazer o negócio da Microsoft crescer, é fazer o Brasil mais competitivo”, finaliza a executiva.