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Projeto que transforma couro de peixe em renda no Litoral conquista reconhecimento nacional

Há 18 anos, a professora Kátia Kalko Schwarz talvez não imaginasse a proporção que seu projeto com couro de peixe teria hoje. O produto que poderia ser jogado no lixo em Pontal do Paraná, recebe tratamento, se torna peças de artesanato únicas, beneficia famílias do Litoral e agora recebeu o registro de Indicação Geográfica (IG) concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

As peles são limpas manualmente, com a retirada de carne e gordura antes de passar pelo processo de curtimento. Foto: Inove/Sebrae

O pedido de registro foi protocolado em outubro de 2025 e o reconhecimento foi divulgado na terça-feira (12). O selo de IG está ligado à reputação e à tradição dos produtores caiçaras de Pontal do Paraná, já que a iniciativa aproveita 16 espécies de peixes para a transformação sustentável da matéria-prima em couro com valor agregado e geração de renda.

São 16 produtores com atuação direta e o benefício indireto alcança cerca de 30 famílias. Os produtos são destinados a indústrias de calçados, designers para a aplicação em móveis, estilistas para uso em bolsas, além da utilização em artesanato, brincos, colares e chaveiros, por exemplo.

“Essa conquista reconhece algo que é muito peculiar do nosso município e que tem a nossa identidade. É um projeto que ganhou força através do olhar e da dedicação das pessoas que acreditam na nossa cultura, no artesanato e no potencial da nossa cidade. Esse selo ajuda a valorizar ainda mais esse trabalho, gerar oportunidades e levar o nome de Pontal do Paraná para cada vez mais lugares”, disse o prefeito de Pontal do Paraná, Rudisney Gimenes Filho (MDB), o Rudão.

Da universidade para o mundo

O trabalho teve origem em 2008, dentro do programa Universidade Sem Fronteiras da Unespar (Universidade Estadual do Paraná), com coordenação da professora Kátia.

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A professora Kátia Kalko Schwarz idealizou o projeto há 18 anos. Foto: Aline Cardoso/JB Litoral

“Nos sentimos com o dever cumprido após 18 anos de dedicação, e como toda maioridade, desejamos que sigam o caminho almejado, objetivando além da geração de trabalho e renda o desafio de seguirem independentes seus próprios passos”, relatou Kátia.

A iniciativa começou com a implantação de curtumes comunitários em 2007, onde ocorre a transformação da pele de peixe em couro, além da promoção de cursos de capacitação, de artesanato e pesquisas. Palestras já foram levadas para outros Estados, como Pará, Tocantins, Rio Grande do Norte, Goiás, Espírito Santo, Santa Catarina e até para fora do País, como para Cabo Verde no Continente Africano, em 2025.

“Os cursos de transformação de peles de peixes em couro formaram mais de 300 novos curtidores e artesãos ao longo destes anos, atingindo cerca de 500 pessoas indiretamente. São tantos dados que alguns são inestimáveis, além do atendimento social e econômico efetuados”, disse a professora.

Além da Unespar, fazem parte da mobilização a Associação Couro de Peixe de Pontal do Paraná (ACPPP), Sebrae/PR, Prefeitura Municipal de Pontal do Paraná, Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar) e Conselho Municipal de Turismo.

IG trará mais visibilidade e fortalecimento

A presidente da Associação Couro de Peixe de Pontal do Paraná (ACPPP), Ana Maria de Oliveira Ferreira de Almeida, disse que a expectativa é de que esse ano seja realizado o curtimento de 600 quilos das peças pelo grupo. Para ela, a IG vai dar mais visibilidade e reconhecimento ao projeto, o que fortalece a geração de renda na comunidade, assim como a cultura, artesanato e o saber fazer.

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Os produtos confeccionados já alcançaram mercados internacionais, com comercialização para países como Alemanha, França e Portugal. Foto: Inove/Sebrae

“Vamos fortalecer também o nosso grupo trazendo e agregando mais pessoas. É muito importante, é mais uma prova de que Pontal do Paraná é reconhecida por ser um centro produtor de Couro de Peixe e de que este trabalho foi feito por muitas pessoas ao longo dos anos aqui no município”, disse Ana Maria.

Entre as espécies utilizadas como matéria-prima estão peixes de água salgada ou doce, como o linguado-abaxial, robalo flecha, robalo peva, parú, corvina, pescada amarela, miraguaia, tainha, prejereba, peixe porco, cavala, salmão e tilápia.

Sem cheiro, resistente e elástico

O trabalho começa com a limpeza das peles, retirada da carne e gordura para depois iniciar o processo de curtimento para transformar a pele em couro. O material não tem cheiro, é considerado com boa elasticidade e chama a atenção pela resistência.

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O produto que poderia ser jogado no lixo em Pontal do Paraná, recebe tratamento, se torna peças de artesanato únicas. Foto: Inove/Sebrae

Pesquisas da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e na Universidade de São Paulo (USP) apontam que a disposição das fibras de colágeno na pele do peixe forma uma estrutura entrelaçada, semelhante a um “X”, que distribui melhor a força e reduz rasgos. A nível de comparação, no couro bovino, por exemplo, as fibras costumam ser mais paralelas.

Após os processos químicos de curtimento do couro, ocorre a pintura, que pode ser feita com urucum, para tons avermelhados; ou cúrcuma, em amarelo. A última etapa é a hidratação e secagem que é feita na sombra. Todo o processo dura dois dias e meio, enquanto o do couro bovino leva em torno de uma a duas semanas.

Depois de tudo finalizado e com as peças prontas, cada artesão tem seu modo de comercialização, que varia entre vendas online, lojas, além da participação em eventos e feiras.

A cambira, prato típico de Pontal do Paraná feito com peixe salgado e defumado artesanalmente, está em processo de registro em análise no INPI.

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