Tempestade solar causou falhas no GPS com extensão inédita

Resumo
  • Tempestade solar em novembro de 2025 causou falhas no GPS com extensão inédita, afetando os EUA.
  • Erupções solares provocaram imprecisão de mais de 10 metros nos sinais de GPS, o que pode afetar transportes autônomos e equipamentos agrícolas.
  • O estudo, publicado na revista Geophysical Research Letters, destaca a necessidade de investir em pesquisa e monitoramento do clima espacial para prever fenômenos solares.

Uma tempestade geomagnética causada por erupções solares de grande magnitude levou a perdas de precisão de mais de 10 metros nos sinais de GPS. Os problemas ocorreram em novembro de 2025 e foram detectados em áreas que até então nunca tinham passado por isso.

As descobertas estão em um artigo publicado na revista Geophysical Research Letters. O trabalho aponta que uma imprecisão dessa magnitude é suficiente para afetar transportes autônomos e equipamentos agrícolas.

Por que tempestades solares são um problema para o GPS?

Ilustração da superfície do Sol, com uma erupção sendo projetada para fora
Ejeção de massa coronal ocorrida em 2012 (Imagem: NASA Goddard Space Flight Center/Flickr)

Ejeções de massa coronal disparam elétrons e prótons em alta velocidade por todo o Sistema Solar. Ao se chocarem com a magnetosfera da Terra, essas partículas podem causar diversos efeitos, do brilho das auroras a problemas na rede elétrica.

As tempestades solares provocam precipitação de partículas que causam perturbações na ionosfera. A ionosfera é, como o nome indica, uma camada ionizada da parte superior da atmosfera terrestre, indo de 48 km a 965 km acima do nível do mar.

As turbulências nessa camada levam a cintilações nas ondas de rádio, causando flutuações de fase e amplitude. Os sinais dos satélites de GPS passam por essa região e são afetados por fenômenos desse tipo.

Isso ocorre com mais frequência nas altas latitudes, próximas aos polos, e nas baixas latitudes, próximas à Linha do Equador. As médias latitudes, onde ficam a maior parte dos Estados Unidos e da Europa, costumam ser mais estáveis, mas não foi o que aconteceu no ano passado.

GPS sofre com problemas em regiões incomuns

Em 11 de novembro de 2025, erupções solares e ejeções de massa coronal de uma região ativa do Sol provocaram uma tempestade geomagnética de alta intensidade na Terra. O acontecimento foi tão severo que o oval auroral, como é chamada a região onde as auroras se formam com maior frequência, expandiu-se em direção à linha do Equador, causando fenômenos visíveis em locais como o estado da Flórida.

A equipe liderada pelo cientista Endawoke Yizengaw, da The Aerospace Corporation, analisou o impacto da tempestade solar no GPS. Usando leituras de diversos equipamentos espalhados pela América do Norte, eles detectaram uma faixa de densidade aumentada de elétrons e fortes gradientes, que criaram irregularidades de pequena escala na ionosfera de latitudes médias.

Essas estruturas geraram uma forte cintilação de amplitude nos sinais de rádio por todo o território dos EUA, de costa a costa, uma extensão inédita para esse tipo de fenômeno. Isso afetou o GPS, resultando em erros de posicionamento maiores que 10 metros.

Aqui, cabe uma explicação: embora o GPS seja mais popular, ele não é o único sistema global de navegação por satélite, termo também conhecido como GNSS. O Galileo, da União Europeia, e o GLONASS, da Rússia, são outros exemplos desse tipo de sistema. Eles também são afetados por acontecimentos assim e foram usados no estudo.

Falha no sistema de posicionamento pode levar a prejuízos

Um erro de 10 metros pode parecer pouco — para quem usa a tecnologia para dirigir, por exemplo, é só um aviso atrasado ou adiantado sobre uma entrada à direita. No entanto, algumas tecnologias que dependem de precisão, como máquinas agrícolas e direção autônoma, podem sofrer consequências graves.

Problemas do tipo não são inéditos. Uma tempestade solar ocorrida em maio de 2024, por exemplo, teve impactos de 10 a 70 metros na leitura, causando falhas nos sistemas de orientação de tratores durante a época do plantio. Os prejuízos chegaram a US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,58 bilhões, em valores atuais).

A questão é que, em 2024, a área afetada foi muito mais restrita, impactando principalmente o Meio-Oeste e as Grandes Planícies dos Estados Unidos. A tempestade de novembro de 2025 poderia ter impedido o uso da tecnologia nas plantações do país inteiro, com perdas ainda maiores. Por sorte, novembro não é época de plantio, o que poupou o setor agrícola de problemas mais graves.

Por isso, os cientistas enfatizam que é preciso investir em pesquisa e monitoramento do clima espacial para tentar prever quando fenômenos solares deste tipo estão para ocorrer. Assim, setores que dependem do GPS podem se programar com antecedência para escapar dos momentos de irregularidade nos sinais.

Com informações do ScienceAlert e do Phys.org

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