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Tribunal do Júri condena integrantes de facções a mais de 70 anos de prisão por execução e tentativa de homicídio contra criança em Paranaguá

O plenário do Tribunal do Júri da Comarca de Paranaguá julgou procedente a ação penal e condenou na tarde da última terça-feira, 2, dois homens envolvidos em uma violenta ação criminosa motivada por disputas de facções ocorrida na região conhecida como Morro da Cocada, no bairro Santa Cecília, em Paranaguá.

Os crimes foram registrados no dia 29 de novembro de 2023, quando um rapaz, de 26 anos, foi executado a tiros. 

A ação criminosa provocou ferimentos graves em outras pessoas, incluindo uma criança, de apenas 1 ano.

Somadas, as penas ultrapassam 71 anos de prisão em regime inicialmente fechado. Conforme determinação judicial baseada na soberania dos veredictos do Júri, foi negado aos réus o direito de recorrer em liberdade.

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PENAS

O Conselho de Sentença acolheu as teses do Ministério Público e reconheceu a materialidade e a autoria dos crimes, divididos em três fatos principais.

O primeiro réu, na época dos fatos com 22 anos, foi condenado por homicídio qualificado (motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima), tentativa de homicídio qualificada contra menor de 14 anos e lesão corporal. 

A pena definitiva foi fixada em 38 anos, nove meses e 10 dias de reclusão, além de cinco meses e 10 dias de detenção.

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Tribunal do Júri condena integrantes de facções a mais de 70 anos de prisão por execução e tentativa de homicídio contra criança em Paranaguá 1

O segundo réu, na época com 18 anos, foi condenado por homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificada contra menor de 14 anos. Teve a atenuante da menoridade relativa aplicada na dosimetria, resultando na pena definitiva de 32 anos, nove meses e 23 dias de reclusão.

TERROR

A noite de 29 de novembro de 2023 foi de terror em Paranaguá. Em duas situações distintas, um rapaz, de 26 anos, foi executado a tiros, uma mulher, de 18 anos, e uma menina, de um ano, foram baleadas e dois indivíduos suspeitos do crime foram alvejados.

As ocorrências, registradas pela Polícia Militar com intervalo de aproximadamente uma hora, aconteceram em trechos da Rua Balduína de Andrade Lobo, no Morro da Cocada e no Emboguaçu, respectivamente.

EXECUÇÃO

O primeiro acionamento das guarnições da corporação e de socorristas do SAMU – Serviço de Atendimento Móvel de Urgência foi por volta das 21h.

Os solicitantes relataram que dois homens armados que ocupavam um carro, cor branca, possivelmente um VW Gol, teriam atirado na direção de um rapaz que caminhava por um acesso lateral da Rua Balduína de Andrade Lobo, no Morro da Cocada.

No local indicado, as equipes de emergência encontraram Wagner Henrique Rodrigues das Neves, de 26 anos, alvejado por disparos na cabeça e nas costas. O rapaz não resistiu aos graves ferimentos.

Uma mulher, de 18 anos, que caminhava pelo beco, foi alvejada na região das nádegas. Ela foi atendida pelos socorristas e encaminhada na ambulância para a emergência do Hospital Regional do Litoral.

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Nas ações distintas, um rapaz, de 26 anos, foi executado a tiros, uma mulher, de 18 anos, e uma criança, de um ano, foram alvejadas por disparos de arma de fogo

CRIANÇA

Enquanto isolavam a área do crime e ouviram testemunhas, os militares foram informados que uma menina, de apenas 1 ano, que estava com Wagner em uma bicicleta no momento do atentado a tiros foi atingida no abdômen.

Colocada em um carro particular, a criança foi levada por populares para a unidade hospitalar, onde foi operada e ficou internada em uma UTI – Unidade de Terapia Intensiva até a manhã desta quinta-feira, 30, quando foi transferida para um hospital na capital do estado.

A criança sobreviveu a tentativa de homicídio, mas a gravidade da lesão resultou em paraplegia. 

ESTOJOS

Durante a perícia realizada pela Criminalística foram recolhidos projéteis e estojos de munição calibre .380. Parte do material estava ao lado do corpo da vítima e jogado na via principal.

Os dois condenados, também alvejados por disparos de arma de fogo, foram encontrados na Rua Balduína de Andrade Lobo, no bairro Emboguaçu

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Os dois condenados, também alvejados por disparos de arma de fogo, foram encontrados na Rua Balduína de Andrade Lobo, no bairro Emboguaçu

BALEADOS

Ainda durante o patrulhamento ostensivo que ocorria na região, em busca do carro usado pelos suspeitos, moradores de um acesso, também na Rua Balduína de Andrade Lobo, porém, no bairro Emboguaçu, nas proximidades da Avenida Ayrton Senna da Silva, entraram em contato com a central 190 e relataram que vários disparos de arma de fogo foram ouvidos no interior de uma casa em construção.

Ao chegar no imóvel indicado, os militares encontraram João Vitor Godoy da Costa, de 18 anos, vulgo “Verruga”, alvejado por tiros no tórax, abdômen, perna esquerda e no pescoço, caído na parte externa, perto do portão principal.

Em um beco, ao lado da residência, as equipes encontraram Victor Gustavo Ferreira Mendes, de 22 anos. O rapaz havia sido baleado no tórax, nas costas e nas nádegas.

Atendidos e estabilizados por socorristas do SAMU, os dois rapazes foram encaminhados para a emergência do HRL.

MISSÃO

Consciente, Victor contou aos policiais que ele e “Verruga” receberam uma “missão” da facção criminosa que pertencem e que durante a execução do “trabalho”, matar um homem no Morro da Cocada, o comparsa teria atingido uma criança.

Ainda de acordo com Victor, por conta da situação, o comando do grupo criminoso teria determinado a morte dele e de João Vitor.

O autor dos disparos que atingiram a dupla era loiro e chegou no imóvel, onde a dupla estava escondida, carregando uma pistola.

BALACLAVAS

Na casa, onde o atentado a tiros aconteceu, os militares encontraram uma mochila com balaclavas (toucas ninjas), várias munições de calibre .38, estojos de munições de pistola, um coldre, um aparelho celular e a chave de um veículo VW Gol.

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Durante a perícia realizada pela Criminalística foram recolhidos projéteis e estojos de munição calibre .380. Parte do material estava ao lado do corpo da vítima e jogado na via principal

HISTÓRICAS 

As condenações históricas são o resultado direto de uma investigação de alta qualidade conduzida pela 1ª Subdivisão Policial da Polícia Civil do Estado do Paraná, em um trabalho conjunto e rigoroso com o Ministério Público.

No ano de 2023, o município de Paranaguá sofria com as consequências de uma intensa e violenta guerra entre facções criminosas rivais, cenário que elevou significativamente os índices de homicídios na região litorânea.

A severidade das penas aplicadas pelo Poder Judiciário serve como um recado claro e contundente àqueles que desejam se aventurar na prática de crimes violentos organizados: a consequência para tais atos será o rigor da lei e a restrição da liberdade por um longo período de tempo.

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