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Violência não educa: autoridade de pai não está na mão que bate,

As imagens do pai que chutou a própria filha de apenas três anos, no Paraná, chocaram o país. Mas esse não é apenas um caso de polícia. É o retrato de uma cultura que, por muito tempo, confundiu autoridade com medo e educação com violência.

Ao assistir à cena, senti um nó no peito, tristeza e indignação. E uma pergunta não saiu da minha cabeça: como ainda há quem acredite que machucar uma criança ensina alguma coisa?

A ciência já comprovou que violência não ensina. A violência assusta, silencia, rompe vínculos e interfere no desenvolvimento do cérebro infantil. Durante anos, eu mesma reproduzi frases como “eu apanhei e não morri” e “tem que apanhar mesmo pra aprender”. Estudando comunicação não-violenta e educação respeitosa, entendi que sobreviver não significa crescer emocionalmente saudável.

Segundo Stephen Porges, criador da Teoria Polivagal, uma criança precisa da presença calma de um adulto para regular suas emoções. Quando esse adulto grita, ameaça ou agride, o cérebro infantil entra em estado de sobrevivência. Nesse momento, não existe aprendizado. Existe medo.