Homens: Onde Estão?

Há ausências que passam despercebidas. Outras gritam. Esta, por exemplo, berra.

Nos últimos anos multiplicaram-se campanhas, seminários, marchas, debates, cartazes e hashtags contra o feminicídio e a violência doméstica. A pauta é urgente, os números são brutais e o diagnóstico está à vista de todos: o assassinato de mulheres por serem mulheres segue crescendo, ano após ano, como uma estatística que insiste em desafiar a civilização.

Feminicídio, convém lembrar, porque há quem ainda faça cara de interrogação, é o assassinato de uma mulher motivado por violência doméstica, desprezo ou discriminação contra a sua condição feminina. Em termos menos acadêmicos: é quando a barbárie resolve vestir calça comprida e agir dentro de casa.

O curioso, para usar um eufemismo elegante, é observar quem comparece às campanhas contra isso. As mulheres estão lá. Militantes, vítimas, mães, filhas, especialistas, psicólogas, advogadas, assistentes sociais. Falam, denunciam, marcham, organizam eventos, ocupam auditórios e ruas.

E os homens? Em geral, não.

A ausência é tão notória que uma recente campanha oficial precisou recorrer a um expediente quase didático no título: “De Homem para Homem”. Uma convocação direta, como quem sacode alguém pelo ombro e diz: acorde, a conversa é com você.

Porque, aparentemente, muitos ainda não perceberam.

Pesquisas recentes ouviram homens sobre o tema. As respostas são um pequeno tratado sobre a arte da omissão. Alguns disseram que esse é um problema das mulheres e que cabe a elas resolvê-lo. Outros juraram que, em suas famílias, isso não acontece, como se a violência doméstica precisasse de convite formal para entrar pela porta da frente. Houve ainda os que invocaram a velha regra da boa vizinhança: não se deve meter a colher em briga de casal.

E há também os muito ocupados. Segundo eles, a vida moderna não deixou tempo suficiente para refletir sobre o assunto. Entre reuniões, planilhas, futebol e redes sociais, a violência contra mulheres acabou ficando para depois.

Cada justificativa parece mais uma peça de autodefesa do que um argumento sério. Não são respostas. São álibis.

No fundo, o que se vê é um silêncio confortável. E silêncio, nesse caso, não é neutralidade. É cumplicidade passiva.

Se o feminicídio nasce, em grande parte, de uma cultura que ainda naturaliza o controle, a posse e a violência masculina, parte solução precisa começar do universo masculino.  Não basta que mulheres denunciem; é preciso que homens se reconheçam dentro do problema, ainda que seja apenas para recusá-lo.

Combater a violência doméstica não é uma pauta feminina. É um dever civilizatório.

Homens precisam falar com homens. Nos bares, nos grupos de mensagens, nas mesas de família, nos ambientes de trabalho. Precisam interromper a piada que humilha, o comentário que diminui, a atitude que normaliza a agressão.

Não é heroísmo. É responsabilidade.

Enquanto os homens permanecerem ausentes dessas campanhas, continuaremos assistindo a um espetáculo absurdo: mulheres lutando praticamente sozinhas contra uma violência que, em grande medida, nasce do lado masculino da sociedade.

A convocação está feita: “de homem para homem”. Resta saber quem terá coragem de aparecer.  

___________________________

Grande Oriente do Paraná

Sereníssimo Grão Mestre – Vladimir Pires Martins

G. Secretaria de Comunicação e Imprensa – Luís Fernando da Silva Dias

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Receita Atende

Receita Atende Fonte da Notícia

Voltaremos com mais notícias após o feriado de 12 de Outubro

Os dias extras de descanso estão movimentando os planos de viagem dos brasileiros. Para o…

Meta proíbe anúncios do TikTok em sete países

Meta diz que não é obrigada a vender publicidade a uma rival (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)…