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Volkswagen Quer Expandir Assistente de IA Otto para Todo o Line-up da Marca

Em uma realidade onde as interações humanas se misturam cada vez mais com assistentes de IA, a Volkswagen começa a testar o Otto, um assistente de inteligência artificial integrado ao veículo, que conta com voz própria, identidade visual e acesso à telemetria do carro.

A iniciativa foi apresentada por Cristina Cestari, CIO da Volkswagen para a América do Sul, durante o AI Festival da StartSe, que aconteceu em São Paulo entre os dias 13 e 14 de maio. “Quando a gente fala em devices, hoje a gente sabe que a tecnologia é capaz de mudar os produtos. Mas quantas empresas estão preparadas para usar a tecnologia para mudar a experiência que estão dando no produto delas?”, questiona a exectuiva.

O projeto tem como pano de fundo a pressão competitiva no setor automotivo, marcada por avanços em eletrificação, conectividade e a chegada de montadoras chinesas com preços agressivos e infotainment sofisticado como diferencial de venda. “Antes os carros serviam apenas para nos levar de um ponto a outro. Essa realidade mudou. No mercado chinês, as pessoas gastam horas dentro dos carros, então ter games e sistemas interativos é uma condição sine qua non“, conta Cristina.

Para a Volkswagen, com um legado afetivo construído entre Kombis, Fuscas e Brasílias, o desafio é traduzir história em tecnologia, sem perder o vínculo emocional com o cliente. A resposta foi dar ao assistente a identidade da marca, traduzida em personalidade sintética. Otto é representado por uma coruja, símbolo de sabedoria, e foi desenhado em parceria com o estúdio de design de veículos da empresa.

“Se não tiver uma abordagem de life centric, como que eu vou fazer o meu produto se conectar? Nós falamos muito do fabricante, que vai tentar fazer o carro mais perfeito do mundo, que não tenha barulho e que ele seja altamente confiável mas, na verdade, a evolução vem do relacionamento com o cliente. Essa abertura se faz altamente necessária”, acrescenta a CIO.

Como o Otto funciona

O Otto opera pelo aplicativo Meu Volkswagen, espelhado no painel do carro, e é ativado por voz com o comando “Fala, Otto”. O modelo foi desenvolvido internamente para rodar como um aplicativo devido ao longo processo de homologação e ao crivo da Alemanha, que não permite que o carro em si seja afetado.

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O software combina soluções da ElevenLabs para transcrição de áudio e do Gemini Enterprise (Google Vertex AI) para modelo de linguagem. A escolha pelo Gemini levou em conta requisitos corporativos de segurança e governança.

A integração com a telemetria do veículo é um dos diferenciais. Se o motorista perguntar, por exemplo, se o carro tem autonomia de combustível para chegar ao Rio de Janeiro, o Otto calcula a distância, consulta o nível do tanque em tempo real e responde com uma recomendação objetiva. “Isso daqui é uma coisa muito importante, porque a tecnologia de informação passa a tomar um lugar bastante essencial dentro de uma cadeia produtiva, onde você tem um asset como esse como principal produto da organização”, acrescenta Cristiana.

O assistente também acessa a agenda do usuário, oferece rotas, informações de clima, reproduz músicas e funciona como manual generativo, respondendo dúvidas sobre o carro em linguagem natural.

Atualmente, o Otto está disponível em fase de testes para clientes do modelo Tera Conectado, e deve ser expandido para toda a linha da montadora em breve.

Ética e segurança

Como todo modelo de IA, o Otto também foi treinado com base em uma série de diretrizes de ética e segurança. Cristiana enfatiza que o maior cuidado no desenvolvimento foi com os chamados guard-rails, barreiras que impedem respostas inadequadas ou manipulação do modelo.

“Foram centenas, milhares de testes para evitar jailbreaks. A pior coisa era alguém colocar na voz da Volkswagen uma resposta que não fosse dela”, afirma. O princípio de responsible AI, segundo ela, foi o principal guia do projeto. Até mesmo para falar sobre a concorrência, o Otto mantém a cordialidade.

A visão de longo prazo vai além do assistente de bordo. “Estamos no mundo onde os agentes se falam. Eles vão perceber, planejar, agir e aprender”, afirma Cristina, ao contar sobre as metas de sistemas multiagente que a Volkswagen pretende explorar. “No final do dia, o fator não é tecnológico, é humano. O que nós queremos no final do dia é que o Otto seja um porta-voz que conheça, de fato, o cliente.”

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