• Home
  • 2026
  • julho
  • A região que tornou o palmito pupunha referência nacional

A região que tornou o palmito pupunha referência nacional

A imagem dos palmiteiros clandestinos que outrora desafiavam a fiscalização no sul de São Paulo ficou no passado. No Vale do Ribeira, o cultivo planejado do palmito pupunha enterrou o histórico extrativismo ilegal da palmeira nativa, transformando a região no maior polo produtor do país e na segunda maior força econômica local, de acordo com a secretaria de Agricultura do estado.

Essa evolução ganhou chancela oficial: o produto acaba de obter o selo de Indicação Geográfica (IG) do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), abrindo de vez as portas dos mercados internacionais mais restritivos. “O cultivo planejado da pupunheira mudou a dinâmica da região.

Conseguimos atender à demanda do mercado de forma sustentável e reduzimos drasticamente a pressão sobre o extrativismo ilegal da palmeira juçara nas áreas remanescentes de Mata Atlântica”, afirma o diretor da Associação dos Produtores de Pupunha do Vale do Ribeira (Apuvale), Claudio de Andrade e Silva. A concessão do selo, emitido na categoria Indicação de Procedência, resulta da articulação entre pequenos agricultores, Apuvale, Sebrae-SP e Instituto Federal de São Paulo (IFSP).

Impulsionado por mais de 40 milhões de palmeiras no Vale do Ribeira, o setor de palmito abastece até 70 agroindústrias. (Foto: Daniele Otto/Embrapa)

A Apuvale projeta uma valorização comercial rápida do produto após a certificação do Inpi. De acordo com a associação, o selo atende a uma demanda global por rastreabilidade e diferenciação no mercado de alimentos.

“O mercado exige a ‘descomoditização’ dos produtos e o selo de Indicação Geográfica cumpre exatamente esse papel. Conferimos um status diferenciado ao palmito, amparado pela segurança de uma certificação de alta qualidade”, explica Andrade e Silva.

VEJA TAMBÉM:

  • Queijos do Sudoeste do Paraná

    O estado com o maior número de certificações de produtos locais

Com 40 milhões de palmeiras, cadeia da pupunha gera 10 mil empregos

O sucesso do cultivo da pupunha no extremo sul paulista está diretamente ligado à geografia local. Ao encontrar um regime de calor e alta umidade nos 17 municípios que compõem a bacia do Rio Ribeira de Iguape, a espécie de origem peruana adaptou-se com rapidez.

De acordo com a Apuvale, diferente da juçara, que morre após o corte e exige até 12 anos para o desenvolvimento, a pupunheira perfilha. “O perfilhamento nada mais é do que brotos que nascem junto à planta principal, formando uma pequena touceira e garantem cortes sucessivos. A planta não morre no corte e garante a produção por muitos anos, sem precisar de replantio”, explica o produtor e presidente da Apuvale, Tercides Freitas.

A eficiência do cultivo moderno reflete diretamente na capacidade de regeneração e colheita da cultura. “Numa lavoura tecnificada, uma única planta de pupunheira para extração de palmito pode dar dois cortes anuais, colhendo-se duas hastes de palmito. Eventualmente, numa mesma touceira, colhe-se três hastes”, diz Freitas.

VEJA TAMBÉM:

  • palmito de açaí

    Produto brasileiro de açaí conquista prêmio mundial

Cultura do palmito ocupa 10 mil hectares no Vale do Ribeira

Um levantamento da Apuvale indica que a cultura do palmito iniciou-se no Vale do Ribeira como alternativa experimental na década de 1970 e hoje ocupa mais de 10 mil hectares, com mais de 40 milhões de palmeiras plantadas na região.

O lucro por hectare de pupunha gira em torno de R$ 10 mil a R$ 15 mil por ano, segundo a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), da secretaria de Agricultura de São Paulo. A cadeia produtiva local gera 10 mil empregos diretos, o que engloba cerca de 1,8 mil famílias, e abastece de 40 a 70 agroindústrias licenciadas na região. A atividade econômica fica atrás apenas da bananicultura no cenário regional.

Com lucro anual de até R$ 15 mil por hectare, o cultivo de palmito pupunha se consolida na região do Vale do Ribeira.Com lucro anual de até R$ 15 mil por hectare, o cultivo de palmito pupunha se consolida na região do Vale do Ribeira. (Foto: Marcio Franchetti/Apuvale)

Pupunha do Vale do Ribeira inova para conquistar EUA e Europa

A diversificação do catálogo impulsionou a aceitação comercial da pupunha. Além do formato tradicional em tolete e conserva, as indústrias do Vale do Ribeira processam o vegetal em opções como espaguete, arroz e lasanha de palmito, produtos direcionados ao segmento de baixas calorias.

A certificação do Inpi atesta a origem e as especificidades do manejo local para atender mercados da Europa e dos Estados Unidos, que demandam critérios de responsabilidade social, sustentabilidade e rastreabilidade na cadeia de suprimentos.

De acordo com a Apuvale, o selo oferece amparo jurídico para proteger a marca “Vale do Ribeira” contra falsificações e viabiliza a exportação direta por parte das agroindústrias locais, fator que diminui a intermediação comercial. “Com a medida, o palmito regional exibe a identificação de origem do sul paulista no mercado global”, afirma Andrade e Silva.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Cuba denuncia aumento de mortes por câncer e culpa embargo dos EUA

Cuba denunciou nesta sexta-feira que “as mortes por câncer no país ultrapassam 70 por dia,…

Brasileiros têm comprado mais motos de alta cilindrada

As motos de alta cilindrada foram as que mais cresceram na produção brasileira nos nove…

Cortes em auxílios sociais podem gerar retração em cidades do interior

São Paulo – A estagnação ou cortes no valor dos benefícios sociais e previdenciários poderão…