• Home
  • 2026
  • julho
  • Estados Unidos: 250 anos de democracia e prosperidade

Estados Unidos: 250 anos de democracia e prosperidade

Em 4 de julho de 1776, as chamadas Treze Colônias declararam sua independência da Coroa britânica. Se visto apenas como o resultado de um anseio por autonomia política e administrativa, esse episódio nada teria de notável. Afinal de contas, a história está repleta de movimentos emancipatórios. A excepcional relevância desse evento decorre da combinação dos princípios enunciados na Declaração de Independência com a posterior transformação das antigas colônias em uma república federativa baseada nesses princípios e com a exitosa trajetória política e econômica dessa república, os Estados Unidos.

A Declaração é um documento breve. Ainda assim, nela são enunciados, de forma precisa e eloquente, diversos princípios de origem iluminista. Possivelmente, o mais notável deles é a ideia de que cada ser humano possui direitos que transcendem os governos, sendo estes instituídos justamente para preservar aqueles.

Os fundadores dos Estados Unidos não tinham como meta transformar a nação em uma grande potência econômica. Porém, a Constituição estabeleceu um ambiente de estabilidade política, liberdade para empreender e respeito à propriedade privada e aos contratos que se mostrou extremamente favorável à atividade econômica

Inicialmente, o governo central dos Estados Unidos não tinha sequer o poder de tributar. Encerrada, em 1783, a Guerra de Independência, concluiu-se que era preciso atribuir poderes adicionais à União. Consequentemente, ocorreu, na Filadélfia, a Convenção Constitucional de 1787. A Carta resultante estabeleceu a república federativa que existe até hoje.

Um dos objetivos da Convenção da Filadélfia era estabelecer uma república consistente com os princípios enunciados na Declaração de Independência. Logo, era preciso que a Constituição contivesse salvaguardas contra o surgimento de um governo tirânico. Assim sendo, os constituintes desenharam um sistema de divisão e descentralização do poder, complementado por um mecanismo de freios e contrapesos.

VEJA TAMBÉM:

  • Brasil poderia aprender muito sobre liberdade com os Estados Unidos

Alguns poucos fatos evidenciam o quão bem-sucedida foi, sob o ponto de vista político, a Carta da Filadélfia. Ela sobreviveu à Guerra Civil, que culminou na abolição da escravidão. Dentre as constituições nacionais e documentos similares em vigor, apenas os Estatutos da República de San Marino são mais longevos. Desde a Revolução de 1789, a França já teve mais de dez constituições. O Brasil está em sua sétima. Das principais potências do começo do século XX, somente os Estados Unidos e o Reino Unido atravessaram as duas Guerras Mundiais e a Crise de 1929 sem sofrer uma ruptura institucional ou um colapso total.

Curiosamente, os fundadores dos Estados Unidos não tinham como meta transformar a nação em uma grande potência econômica. Porém, a Constituição estabeleceu um ambiente de estabilidade política, liberdade para empreender e respeito à propriedade privada e aos contratos que se mostrou extremamente favorável à atividade econômica. Em consequência, os Estados Unidos já eram, no século XIX, uma das maiores economias do mundo e, de forma inequívoca, após a Primeira Guerra Mundial, a principal potência.

Há exatamente 250 anos, os colonos americanos decidiram romper os laços com a Coroa britânica. Eles almejavam tão somente se autogovernar e prevenir o surgimento de uma tirania. Contudo, ao perseguirem esses objetivos relativamente modestos, iniciaram uma das mais bem-sucedidas experiências democráticas da história e criaram os Estados Unidos, a nação que viria a se transformar na maior potência do planeta. Inegavelmente, essa tem sido uma jornada impressionante.

Alexandre B. Cunha é Ph.D. em Economia pela Universidade de Minnesota e professor da UFRJ.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Cuba denuncia aumento de mortes por câncer e culpa embargo dos EUA

Cuba denunciou nesta sexta-feira que “as mortes por câncer no país ultrapassam 70 por dia,…

Brasileiros têm comprado mais motos de alta cilindrada

As motos de alta cilindrada foram as que mais cresceram na produção brasileira nos nove…

Cortes em auxílios sociais podem gerar retração em cidades do interior

São Paulo – A estagnação ou cortes no valor dos benefícios sociais e previdenciários poderão…