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Disseminar a prática do jiu-jítsu compensou derrotas no UFC, diz Demian Maia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O ex-lutador profissional de MMA Demian Maia foi um dos nomes mais dominantes de sua geração em cima dos tatames, com a conquista de títulos nacionais e mundiais em série que lhe abriram as portas do UFC em meados dos anos 2000.

O faixa-preta de jiu-jítsu chegou a disputar duas vezes o cinturão na principal organização de artes marciais mistas do mundo, em categorias de peso diferentes, como desafiante contra os então campeões.

A primeira vez foi em 2010, contra Anderson Silva, na categoria dos médios, e a segunda, em 2017, contra o americano Tyron Woodley, entre os meio-médios. Em ambas, acabou derrotado após batalhas equilibradas e sangrentas de cinco rounds, com decisão dos árbitros.

Embora não tenha conseguido alcançar um dos objetivos que havia traçado ao iniciar sua trajetória nas artes marciais -coroar-se campeão de MMA-, o paulistano se diz realizado profissional e esportivamente por ter conseguido disseminar a prática do jiu-jítsu para um grande número de entusiastas que se interessaram pela modalidade após assisistirem a algumas de suas lutas dentro do octógano.

“É lógico que eu queria ter sido campeão, como fui no jiu-jítsu, com e sem kimono. Agora, se tivesse sido campeão do UFC, mas não tivesse essa conexão com o jiu-jítsu, essa oportunidade de tentar transformar a vida das pessoas através do jiu-jítsu, ter uma escola grande e ser reconhecido como um ícone do esporte, acho que não teria valido a pena”, afirmou à Folha o mestre da arte suave.

Aos 48 anos, ele acaba de publicar o livro “Maia-Leão: Disciplina, Coragem e Reinvenção”, pela Editora Alamiré, em coautoria com Mauro Albano.

Na obra de 256 páginas, Demian Maia repassa momentos marcantes da vida pessoal com os pais e o irmão em São Paulo, convivendo muitas vezes com dificuldades financeiras, e também aborda sua trajetória nas artes marciais.

Como muitos garotos dos anos 1980 e 1990, despertou para o universo das lutas vendo filmes de astros de Hollywood, como “O Grande Dragão Branco” (1988) e “Kickboxer” (1989), estrelados pelo ator belga Jean-Claude Van Damme.

Os primeiros passos foram dados no judô ainda no período escolar, passando por uma academia de kung-fu no bairro da Lapa na adolescência, até o início relativamente tardio no jiu-jítsu, aos 20 anos, quando conciliava a prática esportiva com as aulas de jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Viver profissionalmente da luta não parecia uma realidade factível.

“Minha ideia inicial era fazer um livro de lições do que aprendi com a luta, não era para ser uma biografia. Só que fui vendo que talvez fosse ficar um pouco insosso, e então tentei aprofundar em aspectos mais pessoais mesmo”, disse Maia.

O ex-UFC acrescentou que, pela formação como jornalista diplomado, teve a liberdade para sugerir as mudanças que considerava necessárias no texto, com ele próprio reescrevendo alguns trechos.

“Acho que a formação em jornalismo me ajudou muito na elaboração do livro, para conseguir falar de igual para igual na produção do texto com as pessoas envolvidas na obra, entender o que elas queriam explicar. Não ser só um agente passivo”, afirmou.

“A minha visão não é certa, nem a dos outros é errada, mas tive uma criação diferente do que a maioria dos lutadores teve e acabei construindo uma visão de mundo pouco diferente também”, acrescentou. “Ao mesmo tempo, é algo que me agrada muito conseguir conviver nesses mundos diferentes, aquele que fui criado, o da faculdade e o dos lutadores.”

Entre as grandes amizades que construiu dentro e fora das grades do octógano, Demian cita com carinho o lutador Charles do Bronx, ex-campeão dos leves do UFC e responsável por tomar dele os recordes de maior número de vitórias por finalização (17 a 11) e também de maior número de vitórias de um brasileiro na organização (25 a 22).

“Quando o Charles estava para me passar, torcia para ele nocautear, não finalizar. Mas, depois que ele passou, falei: ‘Está em excelentes mãos’. Esses recordes não poderiam estar com uma pessoa melhor. É um cara muito simples, muito humilde. Ficou muito feliz por ele”, afirmou Demian.

Ele disse ainda que o título do livro, “Maia-Leão”, inspira-se em uma das finalizações mais conhecidas do jiu-jítsu, o mata-leão, mas que precisou adaptar às lutas no UFC por conta das luvas que os atletas utilizam durante os combates. “Queria um nome forte, fácil de pegar. Acho que esse funciona bem né?”

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