O conhecimento sobre a dinâmica do uso e da cobertura da terra é fundamental para o desenvolvimento de políticas de controle e prevenção da degradação dos biomas brasileiros. Nesse contexto, o Sensoriamento Remoto desempenha um papel importante na identificação, descrição e mapeamento da superfície terrestre, por meio da análise de imagens de satélite que permitem caracterizar a vegetação e acompanhar suas transformações ao longo do tempo.
A disponibilidade de séries históricas de imagens de satélite possibilita analisar a dinâmica das formações vegetais, tanto naturais quanto manejadas, incluindo ecossistemas campestres e florestais. Essas informações contribuem para o monitoramento da cobertura da terra e para a avaliação das mudanças decorrentes de diferentes formas de uso e ocupação do território.
No bioma Pampa, as conversões da vegetação nativa, principalmente para atividades agrícolas e reflorestamento, representam desafios para a conservação da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos. Nesse cenário, o mapeamento e o monitoramento da vegetação são fundamentais para conhecer o estado de conservação do bioma e subsidiar ações voltadas à sua preservação e ao uso sustentável dos recursos naturais.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) desenvolve iniciativas de mapeamento dos remanescentes de vegetação dos biomas brasileiros, utilizando imagens do sensor Operational Land Imager (OLI), a bordo do satélite Landsat, e de sistemas sensores similares. A partir de 2024, todos os biomas começaram a serem mapeados a partir de imagens do satélite Sentinel-2, em conjunto com técnicas de classificação semiautomática de cubo de dados gradualmente implementadas e quando de sua necessidade editadas por analistas em geoprocessamento em substituição a análise visual de imagens. Essas atividades estão alinhadas às iniciativas de monitoramento ambiental dos biomas brasileiros e contribuem para a produção de informações destinadas ao planejamento de ações governamentais relacionadas à sustentabilidade da produção agrícola, à preservação da biodiversidade e à manutenção dos serviços ambientais.
A Coordenação Espacial do Sul (COESU), unidade regional do INPE localizada em Santa Maria (RS), atua no mapeamento e no monitoramento da vegetação do bioma Pampa, desenvolvendo e aperfeiçoando técnicas de processamento digital de imagens e de organização de bancos de dados, com apoio de validações em campo e estudos locais para a identificação de atributos ambientais e sua relação com as classes de cobertura da terra mapeadas.
Laboratório de Sensoriamento Remoto da Vegetação (SERVEG)
- Bioma Pampa
O grupo de Sensoriamento Remoto da Coordenação Espacial do Sul (COESU) desenvolve atividades operacionais e de pesquisa voltadas à vegetação dos biomas Pampa e Mata Atlântica, no âmbito do programa BiomasBR (https://data.inpe.br/biomasbr/), um dos maiores programas ambientais do Brasil. Coordenado pelos pesquisadores Dra. Tatiana Mora Kuplich e Dr. Igor Narvaes, o Laboratório de Sensoriamento Remoto da Vegetação (SERVEG) conta com uma equipe dedicada ao geoprocessamento de imagens e dados de satélite, responsável pela operação do BiomasBR na região Sul do Brasil.
O foco do trabalho é o mapeamento e o monitoramento da vegetação e de sua supressão, com o uso de algoritmos de classificação de imagens para a discriminação de classes de cobertura da terra. Entre os objetivos do SERVEG está o fornecimento de dados oficiais sobre a cobertura vegetal remanescente na região Sul (https://terrabrasilis.dpi.inpe.br/app/map/deforestation?hl=pt-br), de modo a subsidiar a conservação da biodiversidade, o uso sustentável dos recursos naturais e a mitigação de conversões futuras.
Além disso, o grupo divulga seus resultados em periódicos científicos e anais de eventos, e atua no ensino e na orientação de estudantes em programas de pós-graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Equipe:
Coordenadores Tatiana Mora Kuplich | Bolsistas de Desenvolvimento Tecnológico Daniela Wancura Barbieri Peixoto |