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Azeite capixaba aposta no turismo após parceria com cafeterias e mira expansão nacional

Altoé amplia pontos de venda em Vitória e avalia turismo rural para aumentar produção e consumo (Reprodução/Redes sociais)

A parceria entre o produtor Leonardo Altoé e a rede Terrafé representa uma nova etapa na estratégia comercial da marca. O produto passa a ser oferecido nas três unidades da cafeteria em Vitória e também será utilizado nos jantares mensais promovidos pela rede. A iniciativa aproxima o azeite de consumidores por meio da gastronomia e amplia os pontos de contato com o público. A estratégia também busca apresentar o produto aos profissionais e consumidores que frequentam estabelecimentos ligados à alimentação e ao turismo.

Segundo informações divulgadas pelo produtor, a parceria não representa, neste momento, uma ampliação da capacidade de produção. A safra encerrada em fevereiro resultou em entre 900 e mil litros, volume equivalente a aproximadamente 4 mil garrafas de 250 mililitros. Cerca de metade da produção já foi comercializada.

Leonardo Altoé explica que a estratégia para 2026 prioriza a expansão da presença da marca e a formação de uma base de consumidores. “O objetivo de 2026 não é maximizar o lucro, mas ganhar mercado, criar recorrência e construir uma base de consumidores. A estratégia sacrifica retorno no curto prazo para tentar elevar o valor da marca no futuro”, afirma.

O produtor trabalha com um modelo de produção em menor escala e direcionado ao segmento de azeites de maior valor agregado. A proposta é associar o produto à origem, ao processo de produção e à rastreabilidade, em vez de competir diretamente com marcas de produção industrial e distribuição em grande escala. A parceria com a Terrafé também permite inserir o azeite em experiências gastronômicas. O produto poderá ser apresentado em diferentes preparações durante os jantares promovidos pela rede, ampliando o contato dos consumidores com suas características e formas de utilização.

A produção do Altoé está concentrada na região de Alto Santa Joana, em Afonso Cláudio, nas montanhas do Espírito Santo. Leonardo também compra azeitonas de produtores que seguem padrões técnicos semelhantes aos utilizados na propriedade. A produção de azeite envolve etapas que começam no cultivo das oliveiras e seguem até a extração do óleo. Entre os fatores considerados pelo produtor estão as condições climáticas, o manejo das plantas, a sanidade das azeitonas e o intervalo entre a colheita e o processamento.

As azeitonas precisam ser encaminhadas para processamento no mesmo dia da colheita. O procedimento busca reduzir a oxidação dos frutos e preservar as características do azeite. O clima também é um dos fatores relevantes para o cultivo. As oliveiras precisam de períodos de frio para completar o ciclo produtivo, condição que favorece determinadas áreas de altitude do Espírito Santo. Além da produção, Leonardo Altoé buscou formação técnica na Universidad de Jaén, na Espanha, instituição especializada no estudo e na produção de azeites. A formação complementa a experiência adquirida no cultivo e no processamento do produto.

Premiações internacionais ampliam reconhecimento do produto

Os azeites Altoé também participaram de concursos internacionais em 2026. Os produtos receberam medalhas de ouro na Itália, no Reino Unido e no Japão, além de premiações de platina e ouro na Turquia. Os resultados são utilizados pela empresa como parte da estratégia de posicionamento comercial. Para uma marca produzida em pequena escala e originária de um estado brasileiro sem tradição histórica consolidada na olivicultura, as avaliações internacionais funcionam como uma forma de apresentar o produto a consumidores e compradores.

A expansão, no entanto, ainda depende do aumento da produção e da construção de uma rede de distribuição capaz de atender novos mercados. O volume de até mil litros produzido na safra de 2026 estabelece um limite para a comercialização em larga escala. A estratégia adotada neste momento combina pontos de venda selecionados, participação em experiências gastronômicas e relacionamento com consumidores. A presença nas unidades da Terrafé amplia esse modelo ao colocar o produto em contato com um público que já possui relação com gastronomia e consumo de cafés e alimentos.

Além da expansão comercial, o produtor avalia utilizar o turismo como parte da estratégia de crescimento da marca. A proposta inclui a possibilidade de receber visitantes na propriedade, apresentar os olivais, promover degustações e criar um espaço voltado à comercialização de azeites e outros produtos das montanhas capixabas. O projeto também considera a possibilidade de instalação de uma fábrica própria e a compra de novas terras para ampliar a capacidade produtiva. Outra possibilidade em avaliação é a criação de um empório com azeites, mudas, café e outros produtos produzidos na região.

A aproximação com o turismo pode permitir que parte da produção seja comercializada diretamente ao visitante. Nesse modelo, o produtor deixa de depender exclusivamente da distribuição tradicional e passa a trabalhar também com experiências relacionadas à origem do produto. A região das montanhas do Espírito Santo já possui atividades ligadas ao turismo rural, à gastronomia e à produção de alimentos. Destinos como Pedra Azul, Aracê e áreas próximas de Domingos Martins integram o circuito turístico das montanhas capixabas, com oferta de hospedagem, gastronomia e produtos associados ao território.

A criação de uma experiência turística, porém, exige investimentos em estrutura, acesso, atendimento e operação. A instalação de uma fábrica também depende de capital e de escala de produção, enquanto a aquisição de novas áreas aumenta a capacidade futura sem garantir, por si só, mercado para o volume adicional. Nesse cenário, a parceria com a Terrafé funciona como uma etapa de aproximação entre produção e consumo. Ao inserir o azeite na gastronomia, o acordo cria um canal para apresentar o produto e ampliar a recorrência de compra antes de uma eventual expansão da estrutura produtiva.

A estratégia do Altoé combina o aumento gradual da presença comercial com a avaliação de novos investimentos. A empresa busca ampliar os pontos de venda, manter a participação em experiências gastronômicas e avaliar a criação de uma estrutura própria nas montanhas capixabas. A expansão da produção será um dos fatores para determinar o alcance nacional da marca. Com uma safra de até mil litros em 2026, o aumento do volume dependerá do crescimento dos olivais, da aquisição de matéria-prima de outros produtores e de investimentos em processamento.

O turismo aparece como outra possibilidade para ampliar a receita gerada por cada visitante. Além da venda do azeite, uma estrutura turística poderia incluir degustações, visitas aos olivais, comercialização de produtos regionais e atividades relacionadas à produção. A parceria com a rede de cafeterias representa, portanto, uma etapa comercial enquanto o produtor avalia os próximos investimentos. A estratégia combina distribuição, gastronomia e turismo para ampliar o conhecimento sobre o azeite produzido nas montanhas do Espírito Santo.

*Com informações de Folha Vitória.

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