Dia Nacional de Combate ao Colesterol é celebrado no Brasil em 8 de agosto, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância de controlar os níveis de colesterol para prevenir doenças cardiovasculares.
O colesterol é um composto orgânico presente no sangue e em todos os tecidos do corpo. Produzido principalmente pelo próprio organismo, ele também pode ser obtido por meio de alimentos. Sua presença é indispensável para o equilíbrio das funções vitais, o problema surge quando ele aparece em excesso na circulação sanguínea.
Em excesso na corrente sanguínea, o colesterol pode desencadear uma série de complicações graves. A mais comum é a aterosclerose — formação de placas de gordura nas artérias, levando ao endurecimento e entupimento dos vasos sanguíneos.
A relação entre colesterol elevado e doenças cardiovasculares foi comprovada em estudos com mais de 800.000 pessoas, acompanhadas por até cinco décadas — reconhecida pela OMS, FDA e EMEA.
O que define se o colesterol é benéfico ou prejudicial é o tipo de lipoproteína que o transporta pelo sangue. Existem dois tipos principais:
HDL — O Colesterol Bom – Recolhe o colesterol acumulado nos vasos sanguíneos e o encaminha ao fígado para eliminação. Quanto maior o HDL, menor o risco cardiovascular.
LDL — O Colesterol Ruim – Carrega o colesterol do fígado para as artérias. Quando acumulada em excesso, pode provocar o entupimento das artérias e aumentar o risco de doenças cardíacas.
O colesterol elevado, na maioria dos casos, não apresenta sintomas. Pessoas com histórico familiar de doenças cardiovasculares precoces — em familiares do sexo masculino antes dos 55 anos ou feminino antes dos 65 anos — devem iniciar o monitoramento desde a infância. Para todos os adultos acima de 20 anos, a recomendação é checar o colesterol a cada cinco anos, com maior frequência se os valores estiverem alterados.
Para a proteção cardiovascular, existem pilares fundamentais que integram mudanças no estilo de vida, manejo clínico e padrões alimentares específicos.
Alimentação Cardioprotetora e Padrões Dietéticos – A base da estratégia brasileira é o conceito de “desembalar menos e descascar mais”, priorizando alimentos naturais.
Na Alimentação Cardioprotetora Brasileira (Dica Br), os alimentos são divididos em três grupos principais representados pelas cores da bandeira nacional, com base na sua composição nutricional e impacto na saúde do coração: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/promocao-da-saude/guias-alimentares/publicacoes
Grupo Verde
Este grupo é composto por alimentos cardioprotetores, ricos em vitaminas, minerais, fibras e antioxidantes, e que não possuem nutrientes prejudiciais (como gordura saturada, colesterol e sódio). Devem ser consumidos em maior quantidade.
- Verduras: Alface, repolho, couve, brócolis, espinafre e agrião.
- Frutas: Banana, abacaxi, maçã, uva, limão, manga, morango, mexerica e laranja.
- Legumes: Cenoura, tomate, chuchu, maxixe, abóbora, beterraba, abobrinha e berinjela.
- Leguminosas: Feijão, soja, ervilha e lentilha.
- Laticínios Magros: Leite e iogurtes desnatados ou semidesnatados (sem gordura).
Grupo Amarelo
Os alimentos deste grupo fornecem energia para as atividades diárias, mas podem conter mais calorias, gordura ou sal do que os do grupo verde. Devem ser consumidos com moderação.
- Pães: Francês, caseiro, de cará e integral.
- Cereais: Arroz (branco e integral), aveia, granola e linhaça.
- Massas: Macarrão.
- Tubérculos Cozidos: Batata, mandioca, mandioquinha, inhame e cará.
- Farinhas: Mandioca, tapioca, milho e rosca.
- Oleaginosas: Castanha-do-Brasil (Pará), caju e nozes.
- Óleos Vegetais: Soja, milho e azeite.
- Doces e Geleias: Mel, goiabada, doce de abóbora, cocada e geleia de frutas.
Grupo Azul
Contém alimentos que são fontes de gordura saturada, sal e colesterol, nutrientes que, em excesso, podem prejudicar a saúde cardiovascular. Devem ser consumidos em menor quantidade.
- Carnes: De boi, porco, frango e peixe.
- Queijos: Variedades brancas e amarelas.
- Ovos: Ovos de galinha.
- Gorduras Animais: Manteiga.
- Sobremesas Caseiras: Pudim, bolos, tortas e mousses.
- Ingredientes Calóricos: Leite condensado e creme de leite.
Vale ressaltar que a base dessa alimentação deve ser composta por alimentos in natura ou minimamente processados.
Existe ainda um Grupo Vermelho, composto por alimentos ultraprocessados (como macarrão instantâneo, refrigerantes e embutidos), que deve ser evitado por não ser recomendado para uma dieta saudável.
A principal diferença entre a Alimentação Cardioprotetora Brasileira (Dica Br) e a dieta mediterrânea reside na sua base cultural e regional, bem como na forma como os alimentos são categorizados, embora ambas compartilhem o objetivo fundamental de proteção cardiovascular. Ambas as abordagens são consideradas intervenções essenciais no estilo de vida. Elas promovem a saúde do coração através de padrões alimentares saudáveis que, juntamente com a perda de peso e o exercício físico regular, estão associados à melhora de fatores de risco.
A prática regular de exercício físico é uma das intervenções mais importantes para a saúde do coração, atuando tanto na prevenção quanto na melhoria de condições já existentes. Os benefícios ocorrem através de diversos mecanismos biológicos e metabólicos: melhora da Sinalização da insulina, controle de fatores de risco (o exercício ajuda no manejo direto de condições que sobrecarregam o coração, como a obesidade, diabetes, hipertensão arterial e dislipidemia),redução da inflamação sistêmica de baixo grau, saúde metabólica integrada(é benéfico não apenas para o coração, mas também para o fígado ,auxiliando na redução da gordura hepática).
É fundamental que profissionais de saúde e pacientes foquem no controle de fatores de risco tradicionais como obesidade, diabetes e hipertensão, pois todos estão interligados à saúde do coração. Além disso, o uso de medicamentos pode ser necessário para reduzir a morbidade cardiovascular, mesmo em pacientes com alterações leves nos exames do fígado.
Marlice Marques
Nutricionista, membro Departamento de Nutrição SBD
@nutrimarlicemarques