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Entre bisturis, afetos e recomeços: o que aprendi sendo mãe e médica

Às vésperas de dar à luz minha terceira filha, no mês das mães, reflito sobre os desafios, aprendizados e emoções de viver duas vocações que se entrelaçam todos os dias

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Ser mãe e médica nunca foi simples. E talvez nunca precise ser. Ao longo da minha trajetória, aprendi que conciliar essas duas dimensões não é sobre perfeição, mas sobre construção diária. Hoje, grávida de oito meses da minha terceira filha, vivendo intensamente essa fase, percebo o quanto tudo isso é, ao mesmo tempo, desafiador e profundamente transformador.

Se por um lado a experiência traz mais segurança, por outro, a rotina se torna naturalmente mais exigente. Duas filhas, uma carreira estruturada, compromissos que não param. Ainda assim, existe algo de mais sereno agora. Talvez porque, com o tempo, a gente aprenda a encontrar um certo equilíbrio – uma espécie de “velocidade de cruzeiro” onde as coisas passam a fazer mais sentido, mesmo dentro do caos.

Quando a vida ensina a abrir mão do controle

Sempre fui uma pessoa muito focada, acostumada a planejar cada passo. A medicina, de certa forma, também nos conduz por esse caminho de controle, precisão e previsibilidade. Mas a maternidade chega como um convite – ou melhor, como um lembrete – de que nem tudo segue o roteiro.

Cada gestação é única. Cada filho é único. E, por mais que a gente se prepare, existe sempre algo que foge do planejado. Aprendi, com o tempo, que está tudo bem. Que a vida acontece no meio do inesperado. Que abrir mão do controle não é fraqueza, mas maturidade.

Hoje entendo que a maternidade é, acima de tudo, um exercício constante de resiliência.

O olhar que muda – dentro e fora do consultório

Ser mãe mudou completamente a forma como enxergo o mundo – e, inevitavelmente, minhas pacientes. A empatia ganha uma dimensão diferente. A escuta se torna mais sensível. As histórias deixam de ser apenas relatos clínicos e passam a ter camadas mais profundas.

Curiosamente, durante os atendimentos, eu continuo muito focada. A responsabilidade com o paciente exige isso. Mas, especialmente com outras mulheres, a conversa muitas vezes encontra um caminho comum: a maternidade. E ali acontece algo muito bonito –uma troca genuína, que vai além da medicina. É nesse encontro que percebo o quanto nossas experiências nos conectam.

Entre medos reais e emoções silenciosas

Às vésperas do parto, meu olhar ainda é, em parte, o de médica. Penso na saúde, no bom andamento do processo, na ausência de intercorrências. É o lado prático falando mais alto.

Mas existe também um outro lado –mais silencioso, mais emocional – que se manifesta quando penso na chegada da minha filha. Especialmente por ser em maio, no mês das mães. É impossível não sentir um profundo senso de realização.

Olho para trás e vejo tudo o que foi vivido: as outras gestações, os desafios, os aprendizados, os momentos difíceis e os felizes. E, acima de tudo, sinto gratidão.

Ser mãe e médica é isso. Um equilíbrio constante entre responsabilidade e afeto, entre técnica e sensibilidade, entre razão e entrega. Desafiador e gratificante, em proporções muito semelhantes.

Dra. Andréa Klepacz – CRM/SP 128.575 | RQE 51419
Cirurgiã vascular
Membro da Brazil Health

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