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Ex-secretária de Inclusão de Paranaguá é alvo de preconceito nas redes sociais

A ex-secretária municipal de Inclusão de Paranaguá, Isabelle Dias Meduna, denunciou ter sido vítima de preconceito após comentários publicados em uma rede social fazerem referência à sua deficiência auditiva.

As mensagens surgiram em uma discussão sobre sua saída da Secretaria Municipal de Inclusão. Em um dos comentários, um usuário afirmou que ela teria sido exonerada porque “não ouvia ninguém”. Na sequência, outra pessoa comentou: “ela é a muda que fala às vezes”.

Ex-secretária municipal de Inclusão, Isabelle Dias Meduna denunciou comentários preconceituosos relacionados à sua deficiência auditiva publicados em uma rede social. Foto: Divulgação

Indignada com a situação, Isabelle utilizou suas redes sociais para repudiar as manifestações e alertar sobre a importância do combate à discriminação contra pessoas com deficiência.

Em entrevista ao JB Litoral, ela afirmou ter recebido os comentários com tristeza.

“Recebi com muita tristeza e indignação. Ninguém espera ser alvo de discriminação, ainda mais em um espaço público. Embora eu tenha aprendido ao longo da vida a enfrentar desafios por conta da minha surdez, situações como essa ainda machucam. Não apenas pelo ataque pessoal, mas porque revelam que o preconceito ainda existe e precisa ser combatido”, declarou.

Conscientização

Segundo Isabelle, a decisão de tornar o caso público teve como objetivo conscientizar a população e incentivar outras pessoas com deficiência a não permanecerem em silêncio diante de situações semelhantes.

“Minha intenção nunca foi criar polêmica, mas conscientizar. Muitas pessoas com deficiência sofrem discriminação e acabam permanecendo em silêncio por medo, vergonha ou por acreditarem que nada será feito. Decidi expor o caso para mostrar que esse tipo de atitude não pode ser normalizada e para lembrar que discriminação é crime”, afirmou.

Ela destaca que episódios de preconceito acompanharam diferentes momentos de sua trajetória pessoal e profissional.

Infelizmente, já enfrentei situações de preconceito, subestimação e falta de acessibilidade. Muitas vezes as pessoas enxergam a deficiência antes de enxergar a capacidade. Na vida pública isso também acontece, mas sempre procurei transformar cada obstáculo em motivação para continuar mostrando que a deficiência não limita a competência, o trabalho e a dedicação de ninguém”, disse.

Preconceito ainda presente

Para a ex-secretária, apesar dos avanços na legislação e na conscientização social, o preconceito contra pessoas surdas ainda é uma realidade.

Houve muitos avanços em termos de conscientização e direitos, mas ainda existe muito desconhecimento sobre a comunidade surda. O preconceito nem sempre aparece de forma explícita; muitas vezes surge por meio de piadas, comentários ofensivos, exclusão ou falta de acessibilidade”, avaliou.

Ela também alertou para os impactos que comentários discriminatórios podem causar.

Comentários discriminatórios podem causar sofrimento emocional, abalar a autoestima e afastar pessoas da participação social. Muitas vezes quem sofre esse tipo de ataque passa a sentir medo de se expor, de ocupar espaços ou de defender suas ideias”, afirmou.