Por Fonseca.R
Tradição é aquela palavra que todo mundo adora citar… especialmente quando não entende direito o que significa. Há quem ache que respeitar a tradição é pegar o passado, plastificar, guardar na estante e só tirar para limpar o pó. Acha bonito repetir exatamente o que foi feito ontem, mesmo que ontem tenha sido outro século.
Por preguiça de pensar — ou por falta de treino — muita gente confunde tradição com estátua: imóvel, intocável, muda. O problema é que estátua não conversa, não ensina, não aprende. E tradição, de verdade, é conversa boa: começa com “foi assim”, mas termina com “e agora, como fazemos? ”.
O maçom sabe — ou deveria saber — que tradição e contextualização andam de mãos dadas. Quando, onde, por quê, por quem e para quem. O gesto de ontem, feito no contexto de ontem, tinha um significado. No mesmo gesto, feito hoje, o significado pode mudar. Amanhã, mudará de novo. Os princípios são eternos; o cenário, nunca.
Seguir a tradição não é repetir o passado como receita de bolo sem olhar a validade dos ingredientes. É entender o espírito que guiou aquela ação e, com ele, criar algo novo para o momento presente. Na arte, na moda e na própria vida, ninguém evolui copiando eternamente o que já foi feito.
O pior uso da tradição é quando ela vira obstáculo. É quando o “sempre foi assim” é usado para impedir que algo possa ser melhor. É como usar uma vela para iluminar, mas não acender a luz elétrica porque “no tempo do meu avô não tinha isso”.
A função da tradição é ser base, não teto. É raiz, não algema. Se bem usada, ela nos ancora para que possamos criar. Se mal-usada, ela nos amarra para que não possamos sair do lugar.
Portanto, respeitar a tradição é lembrar que o passado nos trouxe até aqui… mas não nos obriga a parar aqui. O verdadeiro respeito não está em congelar o tempo, mas em manter vivo o sentido que fez o passado valer a pena — e adaptá-lo para que o futuro também valha.
Como diria meu amigo imaginário — um velho maçom que nunca existiu: “Tradição é como bengala: serve para apoiar o passo, não para impedir que você caminhe. ”
Tradição — em doses homeopáticas
- Tradição não é estátua. É conversa — e boa conversa muda de assunto quando o mundo muda.
- “Sempre foi assim” é a frase preferida de quem não quer ter trabalho de pensar.
- Princípios são eternos; cenários, nunca.
- Usar a tradição para impedir mudanças é como acender vela e recusar luz elétrica.
- Tradição é raiz, não algema.
- O verdadeiro respeito pelo passado está em usá-lo para melhorar o futuro.
Sereníssimo Grão-Mestre Vladimir Pires Martins
Grande Secretaria de Comunicação e Imprensa
Luís Fernando da Silva Dias
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